Os melhores mangás de todos os tempos (ou não)

Há algum tempo eu tenho tentado me atualizar (ou só matar a saudade) de uma ou outra leitura dos mangás que outrora eu acompanhava. (Seria influência do Nery? Nunca saberemos) Até que um dia me deparei com a seguinte lista, vinda direto do goodreads.com:

Best Manga of All Time

1° Fullmetal Alchemist
2° Bleach
3° Death Note
4° Naruto
5° Rurouni Kenshin
6° One Piece
7° InuYasha
8° Ranma ½
9° Tsubasa: RESERVoir CHRoNiCLE
10° Hellsing
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13° Neon Genesis Evangelion
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25° Dragon Ball
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60° Vagabond

melhores-mangas

Ok, do começo. Fullmetal Alchemist é um mangá muito divertido, os traços são legais e razoavelmente superiores a bastante coisa que circulava na mesma época, sem falar que o drama familiar inserido na história e a motivação dos personagens elevavam bastante o nível da revista porém, se comparado com outras publicações nessa lista (e até algumas fora dela) é bem precipitado deixar ele em primeiro. Quem sabe o anime…

Bleach. Um dos primeiros mangás a sofrer do efeito Naruto, com milhões de publicações e enrolações. Morte, garoto com poderes da morte, espirito malignos, bla, bla, bla. Superestimado, definitivamente não merece o segundo lugar.

 

Death Note também não foi nada original, batendo de novo na tecla de personificação da morte e etc porém se manteve sucinto, direto ao ponto e não estendeu a série, o que foi algo muito positivo, fazendo a série ganhar valor. Mas o originalismo (só que não) de sempre envolver a Morte tira bastante do crédito. Claramente japoneses tem um certo problema com a Morte nas histórias deles. :)

 

Naruto. NARUTO! Não julgarei se é bom ou não, principalmente porque já acompanhei a serie e o anime por muito tempo (bem antigamente) mas, apesar de divertido e tal, é um mangá raso, previsível e que fica requentando plots em cada arco novo. É pop e faz sucesso mas não merece uma classificação alta assim só por isso.

 

Agora sim! Samurai X (ou Rurouni Kenshin para os puristas)! O melhor mangá que já li em toda minha (curta, por enquanto) vida. Bem desenhado, história muito boa, excelente motivação para o protagonista (mesmo não sendo tão original assim), dramático, engraçado e com excelentes acréscimos históricos reais para deixar o leitor cada vez mais imerso na história. Obrigatório estar entre os 10 melhores e, se dependesse de mim, estaria mais alto do que em quinto.

 

Eu gostaria mesmo de entender a qualidade, o sentido ou a diversão em One Piece. É outro mangá com síndrome de durar infinitamente, criar plots e ramificações tão diversas que é impossível conseguir acompanhar ou entender tudo que acontece nele. Assim como Bleach e Naruto, superestimado.

 

Tsubasa foi o tipo de mangá que me mostrou algo diferente do que eu estava habituado a ler na época em que saiu. Eu havia acabado de ler Sakura Card Captors e afins, daí jogam no meu colo um mangá fazendo crossover dos personagens mais populares da editora na época, óbvio que eu leria. E foi legal. Mas só isso.

A história se mostrou rasa, os personagens não evoluíram grande coisa fora de seus mangás originais e tudo acabou no marasmo. Acho de deu algum dinheiro. Pelo menos o anime era bonito…

 

Hellsing, COM CERTEZA, é o tipo de mangá superestimado. Claro que a história é bacana e todo mundo se encanta fácil com esse tipo de enredo sobrenatural e etc mas precisava ter uma violência e sanguinolência TÃO GRATUITA? E olha que nem falei do anime… Décima colocação é algo bem generoso para um material em que os pontos bons são a violência e a “originalidade” do enredo, QUE DUROU SÓ DEZ VOLUMES.

 

Evangelion foi outro mangá que marcou época na minha adolescência. Primeiro por ter sido o primeiro mangá com essa temática futurista que li (sim, nem conhecia Akira na época) e segundo pelo ódio mortal que adquiri pelo autor depois de passar quase 2 anos esperando pela publicação de um volume.

É um mangá bem pensado, bem planejado, com idéias e premissas muito boas mas que foi se desgastando com o tempo. A parte excelente dele está nas primeiras edições mas, mesmo assim, como um todo, é um mangá excelente. 13° talvez não seja a colocação ideal pra esse mangá. Talvez um pouco mais alta, mas vai do critério de cada um, né?

 

Como assim Dragon Ball em 25°? Como assim, Brasil?! Ok, Dragon Ball também foi uma mangá longo pra caralho e se levarmos em conta a transição dele para a televisão, daí sim temos um dos melhores exemplos de sindrome de Naruto e One Piece, com fillers intermináveis. Mas e o humor “inocente”? E a comédia infantil? E o exemplo de superação da criancinha, antes de virar um adulto boladão “imortal”?

Dragon Ball ditou os hábitos de leitura e de expectadores por umas duas gerações inteiras, se tornou ícone nacional, um exemplo de sucesso mundial de vendas, vendia qualquer merda que levasse o nome ou marca e até hoje vende action figures a rodo. É um marco e, acredite se quiser (sendo ranzinza ou não), ainda não é datado! 100% consumível nos dias de hoje. 25° é um posição muito injusta.

 

Vagabond. Um arco de histórias de Miyamoto Musashi, o maior espadachim da história japonesa. Um Deus da espada. A representação gráfica de um dos maiores e melhores romances do estilo. Em 60° lugar. Chego a me sentir ofendido com essa posição.

Depois que li Samurai X fiquei maluco com a temática e fui atrás de qualquer coisa relacionada a espadachins e samurais que pudesse encontrar e uma das coisas que caiu no meu colo foi Vagabond. Pode, na maioria das vezes, não ser tão dramático quanto Lobo Solitário (outro bastião do estilo, que costuma dividir os fãs do nicho, junto com Vagabond), ou tão dinâmico, divertido ou “interessante” quanto Samurai X mas é profundo, visceral, cruel como poucas realidades o são, sem contar que ainda está para ser publicado o mangá que vai ser tão divinamente desenhado quanto esse. Os frames de passagens e cenários são quadros individuais. É absurdo! Por mim, sem nenhuma dúvida, ficaria no top 10 de todos os tempos.

E vocês? O que acharam dessa lista? Quais seriam os seus Top Best Ever?

Porque Batman TDKR NÃO é um conto fascista (parte III)

4- Bandido bom é… Bandido socialmente assistido para contribuir ativamente com a sociedade?!

A legenda da imagem diz que o grupo dos mutantes é um bando de ‘ratos’. Em seguida ele diz ‘alguns ratos voam’. Sério gente, Miller não se deu sequer ao trabalho de ser sutil quando ele quis dizer que a linha entre o bem e o mal não estava tão clara em TDKR.

O termo fascismo já foi usado para definir variados tipos de governo. Dos modelos economicamente de ‘centro’ como o de Vargas, aos direitistas como Pinochet, ou Hitler e esquerdistas como Stalin ou Mao. Em todos os casos, indicava modelos de governo em que havia uma autoridade única e inquestionável, que atuava com extrema violência e rapidez em eliminar os inimigos do Estado.

Como bem ilustra George Orwell em 1984 o governo fascista é aquele que está permanentemente à caça de um inimigo… e esse inimigo tem que ser absoluto, terrível irredimível, ao passo que o líder é perfeito e suas decisões infalíveis.

Já demonstramos anteriormente que o Batman de TDKR seria mais do que inadequado como figura de referência em um modelo maniqueísta. Desde a primeira página somos levados a questionar a sanidade de seus atos, desde o primeiro momento confrontamo-nos com a frequente dúvida de se ele será capaz de respeitar os próprios limites.

Nesse sentido é intrigante – e, em certa medida, assustador – que haja um grande número de pessoas que acha ‘massa’ a atitude de Batman durante quase toda a duração de TDKR.

Pois se, como acreditamos, a história é em certa medida um conto de redenção, é inegável que as ações que Batman toma são não apenas questionáveis, mas ativa e deliberadamente questionadas ao longo da obra.

Mas, se é assim, o que nos leva a simpatizar tanto com o morcegão?

Note que não apenas o maniqueísmo típico do que se esperaria de uma postura fascista, mas até mesmo uma série de posturas da direita americana são questionadas nessa cena: o ‘cidadão de bem’ rapidamente pode se transformar em ‘bandido’, a liberdade de posse de armas pode não ser uma ideia tão esperta…

Em primeiro lugar – e esse era um sentimento recorrente nas HQs dos anos 1980 – vemos que a patologia do herói reflete uma patologia social. Apoiar o se pôr contra Batman são duas posturas igualmente hipócritas e patológicas (e a HQ é implacável com os personagens que reagem das duas maneiras) pois ele é (como o Comediante em Watchmen) um produto de uma sociedade doentia.

Faz-se necessário que o próprio Bruce Wayne passe por um processo de reconhecimento dessa sua perigosa e constante aproximação com outros frutos de seu tempo para que se opere uma mudança.

E se, por um lado, como poderia calhar aos objetivos de um proto-fascista, rapidamente a sociedade mergulha no caos, a HQ também traz o pesadelo de qualquer Datena, Capitão Nascimento ou Moroni Torgan: os criminosos (sacrilege darling!) podem se redimir!!!!!

Não sejamos ingênuos: claro que há implicação de que os criminosos são parcialmente forçados a colaborar. Mas veja o quão radical – ainda hoje – é que o cavaleiro solitário viesse a apelar para o ‘espírito comunitário’ dos párias sociais.

Faça um exercício de memória. Relembre: em sua timeline quantas pessoas disseram que o Superman estava certo em matar Zod, porque o vilão nunca iria mudar de opinião.

Mais um exercício: quantas pessoas comemoraram ao ver este vídeo?

Bem, pois você acaba de fazer uma lista de pessoas mais inclinadas ao fascismo que o Batman de Frank Miller.

A recusa do morcegão a matar suas vítimas não é acidental… mas, como podemos ver, é baseada em uma esperança, ainda que mínima e relutante de mudança. E ele precisa dessa esperança porque, como vimos quando falamos do encontro com Harvey, ele também quer mudar, encontrar uma forma mais saudável de lidar com sua obsessão por combater o crime.

Mas ah, você tem que ver que o Batman aparece como um messias, um Führer que em sua imensa sabedoria surgiria para guiar uma juventude problemática e inconsequente para o caminho correto que é obedecer o líder. Isso faria muito sentido se – e lembremos, do que falamos sobre Eco na parte I, toda interpretação deve ser baseada na intenção da obra e buscar confirmação nas partes anteriores e posteriores do texto analisado e não em uma simples passagem – após essa passagem não apenas os mutantes são transformados, mas o próprio Batman.

 

Ao final de TDKR nós temos, telvez pela primeira vez desde os anos 50, um Batman capaz de se relacionar com outras pessoas, sem se apressar em julgá-las por seu comportamento anterior.

Quão diferente do ultra-violento Batman de Denis O’Neil… quão estranho seria ele para o permanentemente paranoico (e, segundo as teorias de Grant Morrison, assassino) Batman escrito por Alan Moore.

Pois, mais do que qualquer um dos mutantes, é Bruce Wayne que se redime e pode, finalmente, se livrar da máscara.

5 – The Dark Knight Strikes Fascismo

 

Se qualquer pessoa quiser uma prova final de que Frank Miller ou mudou radicalmente de opinião nos últimos 30 anos, ou não entendeu de modo algum o sentido da obra que ele mesmo escreveu e desenhou basta observar duas coisas.

1) A postura de Batman a respeito da posse de armas.

Muito embora, como indicamos, o Morcegão não seja referência moral pra quase ninguém no começo de TDKR, o que permite que ele possa desempenhar esse papel ao fim da história é sua postura radicalmente contrária à ‘pena de morte’, ou pelo menos, ao acúmulo de função de juiz, júri e policial em uma só pessoa.

É comum ouvir o discurso “ah, mas só o que diferencia o Batman de seus vilões é que ele não mata”. Como se não matar fosse um ‘apenas’! Se levarmos em conta que há um forte lobby nos EUA que busca garantir o direito à posse de arma para que os cidadãos tenham direito à ‘proteger sua propriedade’ e se repararmos que Batman não abre mão desse seu modesto fio moral mesmo diante da situação apocalíptica que nos é apresentada ao fim de TDKR e se recusa a usar armas, dá para ter noção do quão importante essa mensagem é para ele.

 

2) A postura de Frank Miller a respeito dos EUA como Polícia Mundial

Como o pessoal responsável por South Park bem já mostrou, às vezes até o mais ferrenho republicano pode perceber a imbecilidade que é defender que os EUA possam atuar como uma espécie de polícia fiscalizadora do mundo com autoridade para invadir qualquer lugar em nome da defesa de sua soberania e da ‘liberdade’.

É quase impossível conceber que a mesma pessoa que ridicularizava Ronald Reagan em TDKR viria a escrever a nojenta, ingênua e racista Holy Terror.

Ou criticar o movimento Occuppy Wall Street. Pois, ao fim de TDKR o status de Batman é EXATAMENTE igual ao dos membros daquele movimento: parte de uma organização apartidária que age para exigir do governo melhorias sociais, apesar de não incitar uma guerra civil.

Temos, pela primeira vez um Batman planejando construir e não derrubar. Talvez, aliás, ao lado da versão de Grant Morrison, seja a versão mais positiva do personagem.

Nota Final: Frank Miller, como dissemos, não é nem um pouco sutil em TDKR. É notável que o autor tenha escolhido o Superman para representar o Estado. E é igualmente significativo que ele não tenha morrido. De fato o Super (Estado) apenas aprende o valor bastante saudável de aprender a levar uma boa surra (oposição) de vez em quando. Aliás, todo o plano de Batman partia do pressuposto de que o Super entenderia essa mensagem e reconheceria a importância de haver uma oposição ativa ao Estado, o que mostra que seu plano era deliberadamente o de corrigir uma postura autoritária do Estado, prévia a seu retorno. Se lembrarmos que o presidente representado na obra era Ronald Reagan, como não concordar que essa é uma mensagem extremamente anti-fascista?

Principais canais de quadrinhos no YouTube

Já não é de hoje que a produção de quadrinhos tem crescido exponencialmente. Tem tanta coisa em andamento no mercado e, ao mesmo tempo, tanta coisa nova surgindo que é praticamente impossível acompanhar tudo ou saber de tudo.

Nessa pegada também tem sido cada vez mais difícil acompanhar sites/portais/blogs sobre o assunto pois, ou é muito conteúdo um em cima do outro que deixar algo passar ou ficar estafado com o excesso de informação é comum ou  – assim como nós – eles também não conseguem acompanhar tudo e ficam obsoletos.

A saída que eu tenho encontrado pra ficar por dentro do que acontece no mercado e ao mesmo tempo ter aquele mínimo de know-how sobre variedades do segmento é acompanhar vlogs sobre quadrinhos que, via de regra, conseguem falar a mesma quantidade de coisas (ou até mais) do que seria escrito em uma postagem e duram menos tempo pra te passar isso do que você levaria pra ler em outro site, sem falar no bônus visual que vem junto.

Dito isso, segue uma lista dos canais mais populares sobre o assunto que encontrei. Grifados*, os que eu acompanho regularmente e recomendo fortemente. :)

NerdSync Productions*

 

O NerdSync Productions começou como videocast e acabou ganhando também um podcast, o primeiro vai ao ar quartas e sextas já o segundo, nas segundas. O host é bem carismático e a pesquisa de conteúdo deles é bem completa, com boas referências visuais. Conteúdo em inglês e com uma dicção bem rápida, então se você tem problemas com inglês ainda, use as legendas de CC do Youtube.

Variant Comics

 

O formato de programa do Variant segue a mesma pegada do NerdSync, com uma passada bem rápida, mesmo estilo de edição e tudo o mais porém – pra mim – o host é bem mais chato e não tem a mesma skill de oratória do primeiro. Aqui o leque de coisas que eles falam é maior, abordando tv, filmes (até ai ok), memorabilia, brinquedos, apps (WTF?!). Enfim, esse é mais geralzão.

Comicstorian

 

O Comicstorian tem uma boa equipe de roteiro e locução, com uma apresentação diferentes dos anteriores, sem o host aparecendo na tela mas somente imagens do que está sendo falado, bem similar ao que acontece no Ei Nerd!. O canal vale pelo conteúdo e não pela apresentação em si, o áudio não é aquela superprodução de locução e a edição fica aquém do esperado de uma produção gringa (muito BR faz coisa melhor). Mas o conteúdo vale!

ComicsExplained

 

Aqui acontece exatamente a mesma coisa que no Comicstorian porém, o conteúdo é muito mais esmiuçado – não são raras as vezes que revistas inteiras são resenhadas nos vídeos – fazendo com que os vídeos fiquem enormes! E aí reside o problema do canal: além de uma edição rasa o locutor não tem a mesma envergadura na oratória como os anteriores. Claramente é um cara normal gravando em casa com um headset de 70$ da Microsoft, daí toda a sua atenção sai do conteúdo pra prestar atenção no que o cara tá fazendo (ou deixando de fazer) pra deixar o conteúdo melhor ou não.

Ei Nerd!

O Ei Nerd! é um canal brasileiro bem bacana, que não fala só de quadrinhos mas basicamente de toda cultura pop/geek que temos. O conteúdo é bacana, bem mastigado e simples. Dá pra dizer que é o básico pra alguém que quer começar a entender/conhecer qualquer coisa, não vai te deixar mais perto de um conhecimento profundo e aprimorado igual os canais anteriores. A edição é muito boa, seguindo o mesmo esquema do Comicstorian porém pecando na locução, igual o ComicsExplained.

Pipoca e Nanquim

Canal de vídeos do site homônimo. O PN é da velha quadra dos quadrinhos da internet nacional, começaram com podcast, foram pros vlogs, pausaram o podcast, aumentaram os vlogs, voltaram com o podcast… Uma festa! Os caras entendem do assunto, tem uma boa química e um conteúdo bom e razoavelmente periódico. Vale a pena, se não acompanhar pelo Youtube, acompanhar direto pelo site dos caras.

2quadrinhos*

Essa é uma descoberta razoavelmente recente mas que gostei bastante. Tem vídeos curtos e bem variados, variando a mídia em algumas ocasiões. Não tem grandes bruxarias de edição mas também não faz falta. Assim como alguns anteriores, tem um conteúdo básico sobre o que é dito, mata a curiosidade e instiga a conversa ou a leitura, nada de mais. Agora, Vinicius (host do canal), controla esse tic nervoso de ficar mexendo a mão, velho! Sério, na moral…

Omeleteve*

Omelete. Terreno comum de “conteúdo pop/nerd/geek” na internet nacional. Os caras estão ai há mais de 10 anos, conhecem mundos e fundos e o que não falta é meios e gente pra falar e escrever sobre tudo. O Omeleteve começou como OmeleTV uns anos atrás e, depois de umas pausas, foi reformulado e pouco a pouco gerou mais “filhos”. Hoje o canal dos caras tem de tudo, sobre todas as áreas (não só quadrinhos, especificamente), e com diversos hosts para cada tipo de situação. Se você consegue lidar bem em “consumir o conteúdo” da grande massa sem cair na “massa de manobra”, vai fundo.

E vocês, acompanham algum desses aí de cima ou algum outro que não entrou na lista? Qual?

Porque Batman TDKR NÃO é um conto fascista (Parte II)

Olá tripulantes fãs do Morcegão, continuamos aqui a nossa empreitada por esse post do Batman, se ficou perdido, você pode encontrar a Parte I aqui.

3- Com Grandes Poderes… sobre super-heroísmo, fascismo e direita

O que escapa aos olhos do crítico é que a discussão sobre heroísmo e fascismo já vinha de longa data e TDKR é informado por essa discussão. Assim, o ponto de partida é exatamente um herói fascista que será transformado progressivamente ao longo da história.

Mais ainda: a restrição moral de Batman (não matar) continua. Nesse sentido, não podemos concordar com a hipótese – ademais impossível de ser verificada – de que Frank Miller, caso pudesse, colocaria Batman matando o Coringa em seu confronto final.

Tanto essa cena como a presença de grupos neonazistas no começo da revista apontam para uma aproximação perigosa. Seria ele diferente do grupo que combate? Batman aproxima-se de uma linha limite, progressivamente, sem nunca tocá-la. É notável, porém, que ele está se aproximando cada vez mais da personalidade demoníaca do morcego… Bruce Wayne corre cada vez mais o risco de ser apagado, essa suave linha moral corre o risco de sumir.

É ainda mais curioso notar o quanto essa linha foi eticamente informada por Frank Miller. Se nos anos 1980 falamos de um Batman extremamente violento capaz de deixar o Coringa paraplégico, é notável que em 2013 seja extremamente natural que o Superman mate seu adversário em seu mais recente filme, sem sofrer uma acusação sequer de fascismo… e isso quando o diretor Zack Snyder nem de longe chega a fazer qualquer uma das ressalvas apresentadas por Miller: em nenhum momento temos motivo dentro da história para duvidar da capacidade moral do Super-homem de tomar aquela decisão. Ela é apresentada como necessária, pura e simplesmente. Aliás, em muitas cenas ele é apresentado como moralmente superior.

Mais ainda: enquanto em TDKR o Coringa se mata EXATAMENTE por saber que aquilo seria perturbador para Batman, Superman não tem NENHUMA sequela emocional por matar o Zod.

Em TDKR, Superman se conforma em trabalhar para o governo, enquanto Bruce resolve manter-se afastado do controle do Estado.

Mas, ora bolas, além da violência, não há uma mensagem anti-governo-democrático (apresentado sempre como inapto e corrupto) em Cavaleiro das Trevas?

Sim. Mas crítica ao governo é exatamente o ponto de TODA história de super-herói. Citando Colin Smith:

Leitores de todas idades apreciam essas histórias de super-heróis por que estamos cientes, em alguma medida de que há um problema em nossas sociedades no que tange à distribuição de poder. Nós amamos assistir lidarem com aqueles que violam ou traem os valores liberais-democráticos , mas não por acreditarmos que um Estado fascista seria melhor que um Estado democrático. Na verdade, o super-herói é um personagem que serve para retornar, em forma narrativa, a democracia a seus ideais, onde todos na sociedade são protegidos do poder daqueles que não se importam de modo algum com justiça. Porque por mais que muitos de nós no Ocidente, e particularmente, nos Estados Unidos, estejamos imersos no popular terreno da democracia, almejamos viver em um mundo onde a realidade de nossa sociedade civil e o que ela propõe coincidam mais claramente. E o super-herói, invés de servir como um símbolo de como a audiência deveria voltar-se a favor de um governo autoritário, retira seu poder de nosso conhecimento de como a democracia frequentemente não funciona tão bem, enquanto desesperadamente deseja que ela funcionasse. Assim, o super-herói tem um significado profundamente anti-fascista. E o apelo do grupo de capa e roupas colantes é algo que é direcionado a grupos de todas as idades, e não apenas se direciona aos pré-adolescentes confusos, porque a maioria, se não quase a totalidade, da população deseja um Estado que seja na prática o que diz ser em princípio: justo e equitativo. Isso não é um anseio específico da juventude. E não tem nada a ver com fascismo, por que se preocupa com a liberdade efetiva do medo e da perseguição mais do que com uma concessão ao autoritarismo [fonte: SMITH, Colin. The Fascist Superman, The Tyrant Aquaman, That Lil’Boy Spider-Man Too: How Childish & Anti-Democratic Are Our Super-Heroes? Part 1 of 2 (2010) In: <http://toobusythinkingboutcomics.blogspot.com.br/2010/07/fascist-superman-tyrant-aquaman-that.html>. Acesso em 10/10/2013. Tradução – com algumas liberdades – minha].

Uma das marcas de TDKR, a presença constante dos balões de cantos arredondados apresentam a opinião da mídia sobre os fatos… a presença da mídia televisiva é obsidiante e não permite tempo para que respiremos ou formemos nossa própria opinião. Quase dá pra ouvir um plim-plim ao fundo.

É notável, aliás, que a crítica de Frank Miller seja pesadamente direcionada aos formadores de opinião de Gotham. A questão que está em jogo, no fim das contas é a mesma que será resgatada e aprofundada pela Marvel em Guerra Civil (e, mais uma vez… não lembro de ninguém sair acusando o Capitão de fascista por aí….): até que ponto devemos permitir a participação das instituições (privadas e públicas) como controladoras de nossas vidas?

A questão é, claro, cara a neoliberalistas, mas também à alguns setores da esquerda e aos anarquistas. Claro que uma leitura de esquerda atacaria a ingenuidade de Miller de acreditar na solução capitalista para o problema e apontaria que a substância mesma do que Batman combate (corrupção, criminalidade, caos social) têm origem nas desigualdades geradas pelo capitalismo.

Essa é uma crítica válida e nesse ponto Miller está significativamente atrás de Alan Moore Pat MillsGrant Morrison e muitos outros quadrinistas ativos na década de 1980.

Mas se a visão do Batman de Miller é seguramente baseada numa visão positiva da direita, ela está longe de ser uma visão que indique o babaquismo direitista no qual o autor viria a cair no futuro.

É isso por hoje e essa postagem continua na próxima semana, aproveitem e deixe seu comentário sobre o que achou dessa postagem logo abaixo.

Porque Batman TDKR NÃO é um conto fascista (Parte I)

que já vi. Você pode ler a crítica aqui, no blog Quadrinheiros. Refletiremos um pouco sobre a análise deles e mesmo algumas imagens do post serão reutilizadas, então, recomendamos a leitura dos posts deles para melhor compreensão de nosso texto. Como disse antes, a análise deles é muito boa, e não pretendemos com essa resposta causar polêmica, ou invalidar o ponto de vista deles, mas apenas levantar a discussão e resgatar um dos pontos mais importantes (e paradoxalmente, mais esquecidos) do revisionismo dos anos 80: sua dimensão ética. Para isso, teremos que percorrer alguns pontos da argumentação do post original e apresentar nosso ponto de vista sobre eles.

1- Frank Miller apresentaria posturas fascistas nos anos posteriores. E sempre foi um conservador de direita.

É fato que Frank Miller sempre foi um entusiasta da direita americana. Pior ainda: é notável que progressivamente ele foi tornando-se mais e mais conservador e intransigente. Suas obras mais recentes, claro, tem um marcado conteúdo xenófobo, representativo do que há de pior do discurso republicano. Isso parece resolver a questão não é mesmo? Martelo batido: é claro que embora não tenhamos percebido à época, TDKR era apenas mais um dos passos de Frank para fazer um brainwashing em todos nós nesse discurso pró-fascista que sempre lá esteve desde o começo. Seria isso mesmo?

Temos, porém, que limpar o meio de campo, antes de seguir. Em primeiro lugar cabe observar as recomendações dos críticos de arte e teóricos de interpretação. No seu livro Os Limites da InterpretaçãoUmberto Eco chama a atenção para à impossibilidade de realizarmos uma interpretação com foco na intenção do autor, uma vez que a) nem sempre as intenções do autor são publicamente conhecidas e é possível que permaneçam de foro íntimo; e b) é possível – e isso é relativamente conhecido desde que Freud popularizou o conceito de inconsciente – que nem mesmo o autor saiba as reais intenções por trás da escrita de sua obra.

Resta, portanto, analisar quais são as intenções da obra, e verificar se, para uma dada interpretação baseada em um determinado momento, há elementos que a validem posteriormente.

Há ainda uma outra observação a ser feita, sobre o risco de se analisar essas “intenções de autor”. É questionável, e mesmo perigoso, traçar uma linha reta na evolução do pensamento de um escritor. É fácil dizer que “elementos que atestam um comportamento posterior já estavam presentes anos antes” mas, embora possa haver certa precisão psicológica neste argumento, há que se observar que não são estranhos os casos de profundas mudanças de postura (ética política e econômica) de alguns autores. Da conversão de Paulo, às guinadas neoliberais dos anteriormente esquerdistas Ferreira Gullar Arnaldo Jabor , a história não cessa em nos fornecer exemplos de escritores e artistas “vira-casaca”. No mais, o desenrolar da obra de Frank Miller não é tão distante de como a própria tendência revisionista evoluiu, o que levanta a questão (muito mais interessante) de se a progressiva aceitação de posturas fascistas nas HQs são algo exclusivo de Miller, ou se são um produto da época – um movimento que precede o 11 de setembro, mas que sem dúvida foi intensificado por ele.

2- Batman: The Dark Knight Returns consolidaria a imagem de um homem-morcego violento e psicótico. Isso por si só já seria uma prova de que a obra é uma apologia ao fascismo, não?

A onomatopeia não esconde que alguns ossos foram quebrados com esse golpe mesmo que Batman informe no recordatório que há maneiras de sair da situação com “mínimo contato”. Ele nitidamente OPTA pela violência.

É nítido que o Batman de TDKR é ultraviolento. Ele trata os criminosos com desprezo e sempre que possível abusa da força. Ora abuso de poder e posição contrária aos direitos humanos é certamente uma característica de direita, não é mesmo? De fato, o Batman de TDKR é REALMENTE um personagem com fortes tendências fascistas e REALMENTE é apresentado com alguém com sérios problemas psicológicos. Mais uma vez parece que a questão está resolvida e que, de fato TDKR é um tratado de apologia ao recrudescimento no combate ao crime.

Mas… espere. Analisemos outras obras da época. Não eram também ultraviolentos e psicologicamente problemáticos Juiz DreddV. RorschachMarshall Law ? E não eram eles todos personagens criados por autores nítida e declaradamente de esquerda, abertamente contrários ao conservadorismo e a violência política típicas dos EUA e do Reino Unido na época?

O problema é que muitas vezes somos prejudicados por centrarmos no massaveísmo da coisa e ficamos cegos para o contexto geral da obra. Da mesma maneira que um grande número de pessoas lê Rorschach como o herói de Watchmen, e fica cego para seu discurso fascista, ou a revista Veja acredita que o Capitão Nascimento é um herói, perdendo toda a crítica aos abusos de poder policial presentes em Tropa de Elite (o que obrigou o diretor a fazer o Tropa de Elite for dummies que é o Tropa de Elite 2), é fácil se empolgar com os quadros de porradaria brilhantemente desenhados por Frank Miller e achar que a mensagem direta da HQ é : toda violência é justa no combate ao crime.

Bruce vê em Duas-caras, apesar de sua face reconstituída, sua real face… que é um reflexo do morcego. No fim, são ambos faces de uma mesma moeda…

Pois, se é verdade que o homem morcego aparece como um homem obcecado psicologicamente, isso na verdade não é uma defesa do direito à violência psicótica (o que seria, aliás, um óbvio contra-senso como intenção), mas um lembrete permanente ao leitor de que não há diferença completamente nítida entre o que combate o crime e o criminoso.

Na cena icônica em que Batman confronta um Harvey Dent já com o rosto restaurado através de cirurgia plástica, temos um exemplo claro disso. Harvey pede para que Batman ignore sua aparência e apenas o escute… e diga então que imagem aparece em sua mente. Em uma sequência brilhante de quadros Frank Miller mostra o processo associativo: Batman vê o verdadeiro Harvey, ainda com a face dividida, um eterno Duas-caras. Mas vê também um morcego. Os dois são obcecados com seus alter-egos.

Se lembrarmos que a cirurgia de restauração facial de Harvey foi bancada por Bruce Wayne é fácil perceber que havia uma esperança de Bruce de, ao resolver os problemas de Harvey, encontrar esperanças de se livrar do peso do manto do morcego… cabe lembrar que em TDKR, Bruce é POSSUÍDO pelo símbolo do morcego… ele age sem ter controle dos atos no início da história, buscando aproximar-se novamente da imagem de Batman (raspa o bigode, bate em criminosos, tudo isso sem tomar consciência de suas ações, como um sonâmbulo).

Além disso, há a sutil implicação de que Bruce Wayne estava indiretamente tentando se matar no começo da revista (e que haveria sido salvo por essa sua personalidade dissociada que era o Batman, pelo menos duas vezes… pilotando o carro na pista de corrida e ao resistir a uma tentativa de assalto).

Agora, corrijam-me se eu estiver errado: associar comportamento ultra-violento a uma série de psicopatologias parece ser muito menos uma APOLOGIA do que uma severa CRÍTICA ao excesso de violência, não é mesmo?

Com isso começamos a desatar o nó que diferencia nossa interpretação daquela apresentada pelos Quadrinheiros. Mas ainda resta dar alguns passos, que ficarão para a próxima parte desta série.

Até lá!

The Stuff of Legend: Omnibus One

Eu tinha acabado de baixar o Comixology no celular e estava pegando tudo quanto era edição gratuita disponível. Foi assim, despretensiosamente, que tomei contato com o primeiro volume de The Stuff of Legend. E que surpresa fantástica! O quadrinho de Mike Raicht e Brian Smith, com arte de Charles Paul Wilson III, precisou de apenas o primeiro volume para me cativar.

De início achei que ia ser apenas uma história ao estilo Toy Story, com brinquedos fofinhos em um enredo infantil – e cheio de referências nerds, como tudo hoje em dia. Mas é justamente na última página (dupla) que a HQ mostra a que veio. A história tinha potencial. Muito potencial! Tanto que tempos mais tarde chegou a notícia: The Stuff of Legend teve seus direitos comprados pela Disney, e será adaptada pelos roteiristas de Jogos Mortais e Círculo de Fogo. Fiquem de olho!

O quadrinho conta uma história de amizade e de fidelidade. Mas também conta uma história de ciúmes, inveja, traição e abandono, elevada a um nível muito mais visceral que qualquer história da Pixar. Tudo começa em 1944, quando o Bicho Papão invade o quarto de um garoto do Brooklin e o leva para o Escuro (The Dark). Decididos a trazê-lo de volta, um grupo de alguns dos seus brinquedos mais fieis – e seu cachorrinho – resolvem entrar no armário e resgatar o garoto das garras do ser das trevas. E logo no primeiro volume um deles já morre de maneira tenebrosa.

Os conceitos por trás da história são o que trazem o verdadeiro charme à narrativa. Quando cruzam as portas do armário os membros do grupo deixam de ser apenas brinquedos e assumem as personas que representam. Maxwell, de ursinho de pelúcia, torna-se uma fera gigantesca e assassina, com enormes garras, presas e uma gravatinha colorida. Jesper, o jack-in-a-box (um dos melhores personagens da história) torna-se um bufão mascarado extremamente hábil e elegante, que combate armado com duas machadinhas. O mesmo acontece com Coronel, um soldadinho de chumbo; com Harmony, a bailarina; com Princess, uma boneca de pano indígena; Quackers, o pato e com Percy, o cofrinho em forma de porco.

O Bicho Papão atraiu para suas fileiras todos os brinquedos perdidos ou esquecidos atrás da prateleira, alimentando-os com ódio e ressentimento de um dia terem sido os favoritos – e mesmo assim terem sido deixados de lado. Este mesmo sentimento negativo também está espalhado no próprio grupo de resgate. Os brinquedos não gostam do cachorro, que acabou de chegar e já tomou o espaço do garoto como o favorito para as brincadeiras. Maxwell e o Coronel também carregam a pecha de sempre terem tido espaço especial no coração do menino, enquanto os outros ficavam na caixa. É brilhante o diálogo em que o Bicho Papão questiona Percy sobre qual seria seu destino final, após guardar tão fielmente as moedas da criança. “Ele me quebra”, conclui o porco, lacônico.

 

A cada página você encontra novos conceitos fantásticos que acrescentam muito à história: desde a manifestação dos jogos de tabuleiro, dos monstros feitos de massinha e até mesmo do que acontece aos velhos brinquedos da nossa primeira infância. Dá uma vontade danada de resgatar tudo das caixas e recuperar a diversão que os bonecos tanto trouxeram às nossas vidas.

Depois de ler no Comixology, corri para um torrent e baixei tudo o que havia sido publicado até então, mas a história absorvia tanto que na primeira oportunidade comprei o primeiro Omnibus – na época por menos de 20 dólares. O encadernado junta os dois primeiros arcos (The Dark Book e The Jungle) em uma bela edição de 260 páginas, em capa dura e formato diferenciado.

 

Entenda o motivo de Naruto chegar ao fim!

Para a tristeza de uns e a felicidade de outros, a Shonen Jump, anunciou que Masashi Kishimoto encerrará as aventuras de Naruto na edição 50 da revista. O que nos dá apenas mais algumas semanas para curtir o finalzinho de um dos mangás mais famosos de todos os tempos.

Com 70 volumes já publicados, foram 15 anos e sabe lá mais quanto tempo até o animê terminar (já que larguei a animação com o fim do arco contra Pain). Tanto o autor quanto a história começaram a sofrer um grande desgaste ao atingirem o ápice contra o vilão máximo da série, Uchiha Madara.

Depois de Obito e Madara, a série ainda conseguiu ganhar fôlego com o aparecimento da verdade por trás de Zetsu, Rikudou Sennin (Eremita dos Seis Caminhos) e por último Kaguya Ootsuki. Sem muitos spoilers para quem ainda não leu, o mangá acaba escolhendo pelo clichê e volta com Sasuke no posto de “o último vilão” da série.

Eu ainda acredito que teremos muito de Naruto pela frente, pois mesmo com o fim do mangá bem próximo e com o anúncio de The Last: Naruto The Movie, o último filme da franquia e que na minha opinião ainda vai servir para futuros projetos ligados à franquia.

Por mais que alguns não gostem do pequeno ninja (né Cleverson?), não podemos negar que poucos ou quase nenhum mangá/animê conseguiu atingir o patamar mais alto de sucesso que Naruto e One Piece alcançaram. Aposto que dificilmente veremos tão cedo algo chegar tão longe como esses dois títulos, já que Bleach fracassou no meio do caminho.

Agora é sentar e esperar o fim do mangá, quanto mais de fillers vamos ter no animê, quais filmes ainda podem sair e quem sabe não vemos um novo arco de história com os filhos dos atuais personagens? Lembrando que ainda tem muito material para sair aqui no Brasil pela Editora Panini, porém nada de datas prometidas por enquanto.

Um Segredo de Israel: Pulps Nazistas

Isso é uma daquelas revelações do mundo real que me deixam sem palavras, serião!

Nos anos 60, enquanto os israelitas e judeus estavam ainda se recuperando dos horrores do Holocausto, quadrinhos pulp pornográficos chamados “Stalags“, contendo temática nazista, viraram best-sellers na (então recém-criada) Nação de Israel! WTF!

O “Stalags” (o nome em hebraico para os Campos de Prisioneiros de Guerra) eram lidos por debaixo dos panos pelos adolescentes, boa parte deles filhos de sobreviventes, e contavam histórias de soldados americanos e britânicos capturados e abusados sexualmente por oficiais nazistas femininas voluptuosas, luxuriantes e sádicas! Geralmente, terminavam com o torturado escapando e se vingado das suas captoras com estupro e matança. Leitura saudável…

O reaparecimento recente dessas revistas vintage em leilões online e o alto preço alcançado, por serem itens de colecionador dificílimos de encontrar, tem trazido à tona uma nova discussão sobre como o Holocausto afetou a psiquê e a cultura israelense.

Os “Stalags” eram praticamente a única forma de pornografia encontrada à venda numa sociedade extremamente puritana, nos anos 60, em Israel, e desapareceram quase tão rápido quanto surgiram, quando seus autores e distribuidores passaram a ser perseguidos criminalmente, apenas dois anos após o lançamento da primeira edição. Uma história em particular, “Eu fui a Puta Particular do Coronel Schultz!”, foi considerada tão chocante que levou o governo a declarar a apreensão e destruição de todos os exemplares das revistas na qual ela foi publicada.

Sobre ‘Hawkeye’ de Fraction e Aja, uma das poucas verdadeiras herdeiras de ‘Watchmen’. Parte I

Watchmen. É chover no molhado exaltar mais uma vez as qualidades da novela gráfica de Moore e Gibbons. Era de se esperar, porém, que diante do enorme sucesso de Watchmen, um grande número de quadrinhos tentasse buscar a via trilhada pela dupla britânica.

Mas, ao invés disso, tivemos uma onda de HQs que buscavam emular temas adultos através de poses hiper-sexualizadas e violência excessiva, que marcaram os anos 90. Como se a lição trazida pelo revisionismo pudesse se resumir a “não se preocupe com a idade recomendada para leitura”.

No início de cada edição de ‘hawkeye’, os leitores nos avisam de cara que essa é a revista que trata de quando o o Gavião Arqueiro não está sendo um vingador. É um convite a observar o lado pouco glamouroso da vida de um ‘super-herói’ de menor escalão.

Pois, e talvez isso possa soar estranho para quem insiste em ser cego e surdo como muitos dos autores das duas grandes, uma HQ cujo mote é a questão “Quem vigia os vigilantes?” obviamente não traz como consequência um tempo em que os vigilantes sejam compreensivamente mais violentos, mais, ao contrário, levanta exatamente dúvidas sobre a possibilidade de haver algum super-heroísmo. Não se trata de esquecer a recomendação ética daquela longínqua Amazing Fantasy #15, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, mas, ao contrário, de radicalizar imensamente esse ideal.

Pois, numa temática mais adulta, o super-poder reflete o poder mais cotidiano com o qual todos nós lidamos e ter super-poderes nos insere num jogo imenso de responsabilidades (desde as mais banais até as maiores, político-ideológicas…). Como no nosso dia a dia os heróis fazem uma série de escolhas em relação ao que defender e o que combater – e como defender e como combater. E no mundo pós-revisionista, esse ‘como’ é tão importante quanto o ‘que’ o pretenso herói combate. Não adianta mais apenas ‘combater o crime’, importa debater o que é crime, porque combatê-lo…e porque o ‘herói’ se omite diante de questões importantes.

O Capitão América do universo Ultimate é um exemplo da extrema direita americana que acha que os EUA têm o direito de agir como polícia do mundo.

Cena de Authority, de Warren Ellis et al.

Isso, claro, não quer dizer que a violência seja ‘proibida’ como tema de uma HQ pós-revisionista. Mas ela vem agora com a exigência de não ser mais ‘ingênua’ e ser acompanhada de reflexão ideológica. Pensemos em alguns marcos dos últimos 20 anos: Authority (Warren Ellis et al.), Os Supremos (Mark Millar et al.), Os Invisíveis (Grant Morrison et al.)… em  todos eles a violência é analisada como uma forma de dominação. Aliás, mais importante que isso: o discurso que estabelece certos valores (propriedade privada, direito a intervenção em território estrangeiro) é por ele mesmo uma violência. E se omitir diante dessa violência já é um indicador de questionamento dos limites do heroísmo.

O herói dos tempos pós-revisionismo, portanto, têm que caminhar num abismo estreito entre Cila e Caríbdis: por um lado há o risco da imposição fascista de sua visão de mundo através de seus poderes; por outro, o risco, tão grande quanto, de colocarem seus poderes a serviço de uma ideologia dominante cruel e excludente e simplesmente se ocuparem de caçar os bandidos, sem nenhuma preocupação de lidar com o plano macro que é também responsável pela criação do crime.

Gavião Arqueiro, na frente do apartamento em que mora – e protege e ‘administra’.

Que Fraction e Aja tenham escolhido resgatar e radicalizar o modesto caminho antigamente traçado por certo ‘amigão da vizinhança’ e reduzir a esfera de ação de seu personagem quase que exclusivamente a um pequeno condomínio pelo qual o Gavião Arqueiro se sente responsável mostra uma escolha interessante da dupla diante das opções acima citadas. Na sua revista solo, o Gavião Arqueiro é representado como um cara (quase) normal, de inteligência mediana e com certa tendência a tomar decisões não muito acertadas devido a sua completa inaptidão social.

De antemão sabemos que nosso herói não é lá um exemplo a ser seguido. Por outro lado, simpatizamos com suas tentativas de fazer a coisa certa, apesar dos repetidos fracassos, mesmo diante de objetivos aparentemente tão modestos diante do que estamos acostumados a ver nas HQs de super-gente.

Exemplo da incapacidade típica do Gavião Arqueiro de lidar com situações sociais…

A premissa de voltar a trazer o ‘herói’ para uma dimensão mais cotidiana é nada mais que um retorno às origens da Marvel, nos tempos em que certo Peter Parker ainda tinha que se virar para pagar as contas e não perder as provas na faculdade. Informada pela crítica mais pesado dos limites do heroísmo que marcam a indústria após os anos 80, porém, esse retorno a um terreno mais modesto leva a refletir sobre nossas pequenas ações e omissões diárias nas lutas que escolhamos ou não abraçar.

Mas não há premissa boa que sobreviva sem uma boa execução… e é sobre a primorosa execução de Hawkeye que nos deteremos na próxima parte desta série. Até lá.

[continua]

One Piece / Film Z e mais novidades para o fim de ano

Ok! Eu sei que estou muito atrasado na história de One Piece, o que não me dá direito de julgar e comentar muito a timeline principal, porém os filmes da série sempre foram acontecimentos a parte, mesmo que com easter eggs e referências, sempre foram capazes de entreter a maioria dos fãs e entusiastas.

Não muito diferente do sucesso do animê e mangá, Eiichiro Oda (criador da série) revelou durante alguns meses atrás que teríamos One Piece: Film Z como parte das comemorações aos 15 anos da série.

Então vamos ao que interessa!

A expectativa para esse filme, que estréia nos cinema japoneses dia 15/12, só aumenta a cada teaser divulgado. Já vem sendo chamado de grande produção, a ponto de ter as músicas “Bad Reputation” e “How You Reminder” na voz de Avril Lavigne na trilha sonora, após convite do próprio Eiichiro Oda. Esse mesmo que já afirmou ter em Film Z um longa-metragem ainda melhor que Strong World, seu último filme lançado e que na minha opinião é o melhor filme da franquia além de ser responsável pela comemoração dos 10 anos da série.

Ainda com poucas informações reveladas, sabemos que a trama acontece durante o atual arco do anime, New World, em que Luffy e o Bando do Chapéu de Palha (Mugiwara no Kaizoku Dan) vão enfrentar um inimigo conhecido até agora como Z. Zetto (pronuncia de Z em japonês) é o ex-Almirante e responsável por roubar a Pedra Dyna, uma arma poderosa e o trunfo da Marinha, porém ele acaba cruzando o caminho de Luffy que se vê obrigado a deter o perigoso e mais forte vilão, causando consequências até mesmo nos acontecimentos futuros do animê.

Além de Zetto, outros personagens foram revelados como, por exemplo, Ain e Bin, que comeram uma Akuma no Mi do tipo Paramecia e conseguem, respectivamente, reverter ao estado anterior das coisas e acelerar o desenvolvimento daquilo que toca. Já o vilão Z não teve seus poderes da fruta ele acabou comendo.

Ainda sem data para chegar ao Brasil, os japoneses que forem ao cinema ganharão o “Volume 1.000” de One Piece, com um card exclusivo, sem contar que os fãs que comprarem o ingresso na pré-venda ganharão esboço dos personagens do filme. E não é só isso! (Polishop feelings). Além de todos esses presentes, a Toei Animation divulgou que exibirá o especial One Piece Episode of Luffy: Hand Island no Bouken, às 9h da noite do dia 15/12, além dos quatro episódios do animê que já estão sendo exibidos. Todos eles como parte da história que antecede Film Z.

Não comentei aqui sobre o novo jogo One Piece: Romance Dawn, para PSP, que promete ser o melhor da franquia para portáteis! Tudo isso para os japoneses, enquanto os brasileiros se precisam se contentar com o mangá publicado mensalmente pela Editora JBC. Natal completo para os que moram do outro lado do mundo, não?