Cafezinho na Nave / Meninos & Dragões

Olá, Cruzadores. Convidamos um jornalista e um ilustrador, que já são figurinhas carimbadas na podosfera, para tomar um cafezinho intergaláctico na nossa nave. Você certamente já os ouviu no Papo de Gordo, um dos podcasts mais acessados da internet brasileira, mas desta vez o papo não vai ser podcast e nem gordice, aqui é menos comida e mais quadrinhos. (Dudu, beijo no coração)

Cavaleiros, princesas, dragões e . . . videogames.

De que raios eu estou falando? Da dupla responsável por “Meninos & Dragões”, obra do roteirista Lucio Luíz com arte de Flávio Soares.

“Meninos & Dragões” está concorrendo ao “Prêmio Abril de Personagens”, então resolvemos assuntar com esta dupla dinâmica para conhecer este trabalho e, claro, para angariar mais alguns votos, os seus.

Os caras

Flavio F. Soares, 39 anos, nascido em São Paulo (onde vive até hoje) diagramador, editor de arte, ilustrador, roteirista, colorista, letrista e arte-finalista de HQs, autor das Webtiras A Vida com Logan – 2 vezes indicada ao prêmio HQ Mix –, e Losties e co-autor da HQ Anaquim (em parceria com o jornalista e roteirista Marcelo Soares, para o extinto jornal MTV na Rua), e, também com Lucio Luiz, da tira As Aventuras do MorsaMan.

Portfólio: flaviosoares.com.br e flaviofsoares.deviantart.com

Lucio Luiz, 34 anos, nascido no Rio de Janeiro e morador de Nova Iguaçu desde bebezinho. Jornalista,  educador, escritor e pesquisador acadêmico nas áreas de quadrinhos e cultura participativa. Coautor das tiras “As Aventuras do MorsaMan”, com Flavio F. Soares, autor do livro “Amor, escatologia e etcetera” e podcaster do Papo de Gordo.P

Qual é a temática abordada em “Meninos e Dragões”?

Lúcio: – A história fala sobre quatro crianças que vivem no Reino de Odilon, uma terra medieval que, ao lado de cavaleiros, dragões e fadas, também conta com videogames, skate, futebol e outras “modernidades”.

Quem são os principais personagens?

Lúcio: – O personagem principal é Rodrigo, um menino inconsequente que sonha em ser cavaleiro do Reino de Odilon. Ele sempre tem ideias estapafúrdias que colocam ele e seus amigos em várias confusões. Seu melhor amigo é Tobias, filho do maior cavaleiro do Reino, mas que está muito longe de ser corajoso. Ainda temos a princesa Amanda, que prefere ficar brincando e fazendo bagunça com os meninos do que que seguir os “rituais” da corte. Por fim, a fada Carlinha, que foi apresentada na segunda história. Ela vive na Floresta Doida, onde as fadas se escondem dos humanos, mas adora ficar junto com seus amigos do Reino de Odilon.

Como surgiu a parceria?

Flávio: – Começamos a trabalhar juntos na época de As Aventuras do MorsaMan, para o Papo de Gordo. Algum tempo depois, Lucio me apareceu com alguns outros roteiros em que ele queria trabalhar (e que ainda verão a luz do dia). Algum tempo depois, nessas conversas, ele surgiu com todo o conceito de Meninos & Dragões. A minha parte se resumiu a estipular o visual dos personagens e brigar com o Lucio sobre a quantidade indecente de coisas que ele queria que acontecessem em cada quadro. (risos)

Qual foi a inspiração para a obra?

Lúcio: – Quando comecei a pensar numa ideia para personages infanto-juvenis, busquei inspiração nas centenas de crianças com as quais eu convivo em minha escola (temos crianças de 3 a 17 anos por lá). Pensei em fazer um universo em que os personagens principais fossem crianças que vivessem em um mundo de fantasia. A ideia de ter esse toque de “modernidade”, com as crianças medievais assistindo TV ou andando de bicicleta, veio do fato de que as crianças não possuem as mesmas “amarras criativas” dos adultos na hora de pensar em seus mundos fictícios: elas misturam tudo de que gostam sem se preocupar com “lógica” ou “coerência”, essas coisas chatas que os adultos cismam em colocar no meio das histórias (risos).

Como é o processo de criação do roteiro e da arte gráfica?

Lúcio: – Para bolar o roteiro, eu normalmente penso primeiro no tema da história, geralmente fazendo um resumo de um parágrafo. Vou ajustando até conseguir fazer um resumo que traga início, meio e fim da história. Em seguida, faço um resumo “por página”, com o que deve acontecer em cada parte da história para ver qual o tamanho ideal dela. Aí, parto para o roteiro propriamente dito, fazendo a divisão dos quadros, escrevendo cada cena e colocando os diálogos. Passo pro Flavio, que dá um feedback. Geralmente, ajusto algumas coisas (eu tenho a mania de colocar muito texto, o que faz o Flavio me xingar bastante) e arrumo algumas cenas para que a história flua bem.

Flávio: – Resumidamente, o Lucio me passa o roteiro. Dou uma lida, faço algumas observações, conversamos um pouco sobre isso pra deixar a história mais “redonda” e começa o trabalho de arte. Normalmente eu faço um rascunho rápido das páginas em tamanho pequeno para ir estudando angulos, tamanho de quadros, etc. Em seguida vou direto para o computador e desenho tudo no Illustrator.
Como nosso prazo para entrega das HQs estava muito apertado (e sou um desenhista lento), buscamos a ajuda de outros profissionais para letreiramento, cor e arte-final. O processo acima acabou sendo adaptado para cada HQ. A primeira foi feita desse modo digital, com Marcela Mannheimer fazendo as cores. A segunda HQ (também 100% digital), foi desenhada pelo Wanderfel (Wanderley Felipe), com arte-final minha, cores de Marcela, Doni Amorim (também responsável pelas letras) e Aikau Oliva.
As duas últimas HQs eu desenhei do modo tradicional (papel e lápis) e o Doni fez a arte-final digital e as cores. Depois, eu fiz os letreiramentos.
O processo todo ainda precisa de ajustes para fluir melhor. Mas já sabemos como é produzir um gibi de 32 páginas.

Roteiro Bruto

PÁGINA 3:

Quadro 1 – Rodrigo e Amanda conversam, falando baixinho. Ela está dando uma olhada no lado de fora, conferindo se não vem ninguém.
Rodrigo – O que você tá fazendo escondida aqui?
Amanda – Estou tentando fugir do castelo. E você vai me ajudar!

Quadro 2 – O diálogo continua (os balões podem estar ligados com o do quadro anterior). Pode ter a Amanda olhando para fora de outro ângulo.
Rodrigo – O quê? Tá maluca? Por que você quer fugir?
Amanda – Eu quero escapar de um almoço chato que me obrigaram a ir.
Rodrigo – Mas seus pais vão ficar preocupados!
Amanda – Eu deixei um bilhete no meu quarto avisando que eu volto mais tarde. Não tem problema.

Quadro 3 – Eles estão na porta, prestes a saírem no corredor. Rodrigo com uma cara de “conformado” e Amanda, decidida..
Amanda – Vem, Rodrigo. Vamos aproveitar que não tem ninguém por perto.
Rodrigo – Você que manda, princesa.

Quadro 4 – Eles se assustam com barulhos vindos do fundo do corredor.
Rodrigo – Acho que vem vindo alguém!

Quadro 5 – Rodrigo puxa Amanda pelo braço, começando a correr.
Rodrigo – Vamos por aqui!
Amanda – Mas a saída é daquele lado!
Rodrigo – Relaxa! Eu tive uma ideia!

Traço

Página finalizada

Quem mais faz parte da equipe?

Flávio: – Nossa intenção – se formos escolhidos, é claro – é trabalhar com as pessoas citadas na resposta anterior e mais alguém que possa se juntar a nós durante a caminhada.

Custa caro desenvolver HQ de forma independente? O que vocês almejam para o futuro?

Flávio: – Custa muito caro. O leitor médio não tem noção destes custos e não faz uma idéia exata de como é difícil produzir HQs no Brasil. Não é fácil manter uma revista 100% nacional em bancas com uma periodicidade mensal ou bimestral. O custo para publicar material feito nos EUA, por exemplo, é infinitamente inferior e é por isso que as editoras preferem partir para esse mercado.
Pro futuro? Dominar o mundo, é claro. E também fazer mais algumas HQs, se der tempo. (risos)

O que é o Prêmio Abril de Personagens?

Lúcio: – Esse prêmio é uma iniciativa da editora Abril para encontrar novas ideias para se tornarem gibis voltados ao público infanto-juvenil. É a segunda edição do evento (a primeira, em 2010, deu origem aos gibis “Garoto Vivo” e “UFFO – Uma Família Fora de Órbita”). O vencedor assina contrato com a Abril, que passa a publicar um gibi dos personagens.

Passe uma cantada nos nossos leitores convidando-os para conhecer e votar em “Meninos e Dragões”

Flávio: – Oi. Você vem sempre aqui? Vem? Sério? Então por que cargas d’água tu não votou na gente ainda? Hein? HEIN?

Convite aos Cruzadores

Este foi o nosso Cafezinho na Nave, espero que vocês tenham curtido conhecer um pouco do trabalho desta dupla e fica aqui o convite para sugerirem outras pessoas que sejam queridas e acessíveis para convidarmos para tomar café com a gente aqui no Cruzador Fantasma.

Agora, mostrem o #CruzadorPower (beijão, Jovem Nerd) e corram lá votar em Meninos & Dragões para podermos ter essas delicinhas em papel *-*.

Leiam e Votem

Para votar é fácil, muito fácil. Você clica no link, lê a obra e escolhe quantas estrelinhas cada estória merece, aí é só e completar o formulário que pede um tiquinho de coisas (nome, estado, cidade, idade e e-mail) e pronto. A dica é botar 5 estrelas em todas as estórias de Meninos & Dragões. Vai lá ^^.  (ah, e tome cuidado pois o posicionamento dos concorrentes na página é randômico, então nem sempre é o do meio ou o do canto, ok? )

Cafezinho na Nave / Conheça Sonia Luyten

O nosso Cafezinho na Nave de hoje é com a pioneira no estudo científico das HQs no Brasil.

Eu tive o prazer de assisti-la na Gibicon, e fui agraciada com alguns pontos dos seus quarenta anos de carreira em docência e pesquisa, estou falando da mulher que é referência e exemplo quando se fala de quadrinhos, estou falando da Sonia Luyten.

Doutora em Ciências da Comunicação, Sonia fundou o primeiro curso de Histórias em Quadrinhos do mundo, na Escola de Comunicações e Arte (ECA/USP), organizou a primeira gibiteca e mangateca do Brasil e fundou também a ABRADEMI (outrora chamada de Associação dos amigos dos mangás).

Sonia é autora de diversos livros sobre quadrinhos, mangá e cultura e é amplamente premiada por seus trabalhos.

Morou por 15 anos no exterior,  como professora convidada em universidades do Japão, Holanda e  França.

No período de 2000-2005, foi professora e Coordenadora do Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Santos e presidiu o Troféu HQ MIX de 2008 a 2011. Além disso, a presença de Sonia é atração obrigatória nos melhores eventos de quadrinhos.

Ter a oportunidade de conhecer a Sonia pessoalmente e ter um aperitivo de sua história de vida e de profissão, na Gibicon,  foi certamente um presente.

A Sonia representa os quadrinhos com mais do que paixão, seu trabalho é a expressão e o registro do desenvolvimento do pensamento científico sobre quadrinhos, reconhecida dentro e fora do país e é com grande respeito e admiração que a chamei para tomar um cafezinho com a gente.

Você gostou da Gibicon? Quais foram as atividades que você participou e quais foram suas impressões sobre a produção de conteúdo no evento?

A Gibicon #0 foi só uma amostra do que seria este evento (Gibicon #1). Classifico de excelente pelo alto nível da programação. Eu participei, enquanto mediadora de duas mesas e dei uma palestra sobre meus 40 anos de atividades como docente na área de Histórias em quadrinhos.

Como a programação de palestras e debates foi bastante intensa, participei de algumas delas.

A programação enfocou muitas áreas que eu classifico de importantes para as HQs:

 1-  Mulheres nos quadrinhos – Acredito que deva continuar nas próximas edições para dar luz e voz às desenhistas brasileiras que estão no mercado.2-  Novos rumos para a HQ nacional –Revelou para o público novos talentos e aqueles que estão dando novas contribuições no Brasil.3- Palestras autobiográficas –Achei sensacional o destaque dados às carreiras de quadrinistas, pesquisadores, dando a oportunidade do público conhecer um pouco mais fundo quem é quem no quadrinho brasileiro (e internacional) 4- Grafipar e Gibiteca –O destaque dado ao Paraná e Curitiba em termos de produção e história (como foi o caso da Graficar)5- Exposições – As exposições  foram de tirar o fôlego de tão boas, temática bem escolhida e qualidade.


7- Locais –
A escolha de dar destaque à programação em diferentes locais da cidade.6- Convidados – A equipe da  Gibicon escolheu a dedo os convidados, todos de grande gabarito,  dando muito prestígio ao evento.

O que a Gibicon representa ou pode vir a representar para os quadrinhos?

A Gibicon tem seu espaço garantido no Brasil e já faz parte do calendário de atividades de Quadrinhos no país. Ela representa mais um passo em direção a consolidação da produção de HQ no país, a valorização da pesquisa acadêmica, um olhar direcionado  através das expoisções, dando ao público específico e ao público geral os passos firmes do mercado brasileiro.

Além disso, representa muito para Curitiba e ao Paraná pois atrai gente do Brasil inteiro para  conhecer e apreciar a cidade.

Sendo pioneira no estudo científico dos quadrinhos, qual é a dica que você dá para quem pretende estudar o assunto em âmbito acadêmico?

Primeira coisa é gostar de quadrinhos. Tem  de ser uma paixão.

Depois separar este aspecto (paixão, ser fã) e colocar um olhar de pesquisador para relevar o que se está estudando.

Convencer o seu orientador (a) de que esta área é importante também é fundamental.

Pode-se ver tudo através dos quadrinhos:  História, Português, Geografia, Física, Literatura, Medicina, enfim, as HQs contam a História do  século XX e agora do Século XXI sem censura, com humor, e através disto dando uma visão  bastante aprofundada em qualquer setor do conhecimento humano.

Qual a importância da produção acadêmica focada em quadrinhos?

A pesquisa acadêmica é o filé mignon do que existe de mais novo na área, com estudo detalhado no item que o aluno(a) está trabalhando. As editoras brasileiras ainda não perceberam isto e noto que nossa linha editorial carece de ter uma visão mais ampla ao editar as teses.

Como presidente do Troféu HQMIX, abri um novo setor de premiação: teses acadêmicas sobre Histórias em Quadrinhos e Humor Gráfico em 3 vertentes: TCC (Trabalho de conclusão de curso), Mestrado e Doutorado. O candidato, depois de passar por suas banca examinadora em sua universidade, passa por uma comissão de Doutores e Mestres do Troféu HQMIX para uma nova avaliação sob outros pontos de vista para se  eleger como o melhor do ano.

Além disso, a produção acadêmica (que enfoca pesquisa nas HQs nacionais) estará contando em detalhes nossa história. Minha experiência de lecionar e morar em outros países (Japão, França e Holanda) além de visitar outros eventos de HQ na Europa, Asia  e Estados Unidos só comprova isto.

O mundo conhece a história dos Quadrinhos de outros países através das pesquisas feitas e a publicação em livros. Nossa bibliografia sobre HQ está começando a engatinhar e espero que com minha contribuição, batendo nesta tecla há muitos anos, seja um sonho realizado.


» Cafézinho na Nave

Sonia é autora dos livros Comunicação e Aculturação, O que é Histórias em Quadrinhos, Histórias em Quadrinhos – leitura crítica, Cultura Pop Japonesa: mangá e animê, capítulos em livros e centenas de artigos em jornais e em revistas.

A Gibicon foi também a ocasião do lançamento da 3ª edição do seu livro Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses, obra que será resenhada em breve no Cruzador Fantasma.

Bryan Cranston desconversa rumor sobre Lex Luthor

filme bryan

Parece que Bryan Cranston, a estrela de Breaking Bad, mandou uma pegadinha do Mallandro para cima dos fãs do Cuecão quando comentou que achava Lex Luthor “um cara legal”. Se vocês não lembram o comentário foi o seguinte:

Eu gosto do Lex Luthor. Eu acho que ele é mal compreendido. É um cara doce e adorável.

Agora, enquanto concedia uma entrevista falando de seu próximo filme, All the Way, onde interpretará Lyndon B. Johnson, ele acabou por acabar prematuramente com a alegria de muita gente (ou não). Durante a entrevista comentaram com o ator que ele estaria comprometido para seis filmes no papel do vilão careca, ao que ele riu abertamente.

Seis?! Isso é novidade para mim. Pelo que sabia eu estava sendo cogitado mas mais pelo simples fato de ser um careca conhecido. Mas a verdade é que qualquer um pode raspar a cabeça ou colocar o topo de uma peruca careca.

Como vimos, o rumor “sério” começou a pouco mais de um mês quando apareceram listas de quem poderia representar o papel onde tudo começou com o burburinho citando o ator Mark Strong. O entrevistador em questão ainda insistiu no assunto, perguntando se ele cogitaria conversar com Gene Hackman para pedir conselhos sobre o papel, ao que ele prontamente respondeu estar mais envolvidos em projetos que não super-heróicos.

Depois de All the Way ele dirigirá um episódio de Modern Family e então, nas palavras dele, “eu acho que vou relaxar o resto do ano. Há alguns ferros no fogo, as coisas que as pessoas estão falando, mas nada está definido.”

E agora? Temos ou não um Lex Luthor definido para o próximo Batman/Superman? O filme, estrelado por Henry Cavill e Ben Affleck

Fábulas: A Revolução dos Bichos Dica de Leitura

A Revolução dos Bichos começa com Rosa Vermelha e Branca de Neve saindo da Cidade das Fábulas para visitar A Fazenda e ver se está tudo em ordem por lá, além disso o plano por trás da viagem é Branca de Neve “deixar” sua irmã ajudar no trabalho da fazenda como forma de punição pelo fuzuê causado com sua morte forjada (Fábulas vol. 1 – Lendas no Exílio).

A Revolução dos Bichos

Enquanto João cumpre sua pena fazendo trabalho de faxineiro na cidade, a dupla de irmãs pega seu rumo para o interior, acompanhadas de Cícero, um dos Três Porquinhos.

Tão logo se aproximam da fazenda, Branca nota que alguma coisa está diferente. Sinais de coisas mundanas são encontrados nas redondezas da fazenda, algo que deveria ser impossível devido as magias ali postas. Chegando ao vilarejo da fazenda em si, Branca e Rosa encontram o lugar deserto, quase abandonado, vindo a descobrir que vários dos “animais” dali estavam reunidos no celeiro.

Quem conduzia a reunião eram os dois Porquinhos remanescentes e, segundo eles, o intuito de tudo aquilo era planejar uma retomada do mundo das Fábulas das mãos do Adversário.

No desenrolar da história acabamos descobrindo que os planos eram muito maiores e complexos que isso. As fábulas da fazenda sentiam-se cada vez mais animais, conforme viviam confinados na fazenda, proibidos de contato com o mundo dos mundanos. Não demorou para que grande parte dos seres ali se sentissem compelidos a confrontar as fábulas “humanas”, na cidade grande, exigindo sua liberdade de direito. Porém as coisas tomaram outras proporções…

A trama de A Revolução dos Bichos se desenrola com muito mais rapidez do que em Lendas no Exílio.

Não é preciso perder tempo introduzindo personagens nem explicando nada, o leitor pode ir direto ao que é importante na história e partir para as vias de fato, então é isso que o roteirista nos dá.

Entretanto, como contrapeso da rapidez/fluidez da história, temos uma trama mais rasa, sem uma grande investigação ou grande suspense. Os planos dos protagonistas são expostos logo de inicio, deixando para os mocinhos (e você, leitor) somente ir atrás da solução para sair dali.

Um ponto extremamente positivo do trabalho de Willingham é preocupar-se com a divisão de cenas entre as Fábulas. Por mais “principais” ou carismáticos que alguns personagens da série sejam, o roteiro é pensado para que cada um dos personagens, recorrente ou não, tenha espaço.

Por exemplo: no volume 1 da série Bigby Wolf, o Lobo Mau, e João protagonizam grande parte da revista. Nesta, eles são “deixados de lado”, apresentando personagens desconhecidos e relevantes para a trama, aumentando a gama de Fábulas sem excluir os outros que já tiveram seus 15 minutos de fama.

O material, assim como o primeiro volume, é de ótima qualidade. Muito bem editado, boa impressão e bom papel. Apesar de não ser um encadernado grande, proporciona uma pega boa para leitura e se comporta bem na prateleira, quando guardado. Vale o quanto custa e está na lista de leitura obrigatória.

“Um Gay Suicida em Shangri-la”, meu novo livro

Meu aniversário de 22 anos (e o segundo ano do Discípulos de Peter Pan no ar) foi comemorado uma semana antes, no evento Então, eu li: Na Estrada (postei todas as fotos aqui). No dia 11 de setembro, a data certa, lancei meu terceiro livro, “Um Gay Suicida em Shangri-la”. Inspirado na minha própria tentativa de suicídio, essa obra narra a história de Eduardo depois que ele também sobrevive à uma tentativa de suicídio.

Em vez de voltar ao mundo dos vivos infeliz e pronto pra tentar outra vez, ele resolve viver tudo de maneira diferente. Assim ele pega uma mochila de roupas, rouba dinheiro dos pais opressores e pede carona de São Paulo até o interior do Rio de Janeiro, para uma cidade chamada Estrelas.

Livro Um Gay Suicida em Shangri-la

Todo o trabalho gráfico da capa, assim como a diagramação e preparação, é meu! Além de escrever, revisar — com ajuda de pessoas preciosas, já vou falar delas — e sofrer para reescrever tudo que estava chato, montei cada pedaço do meu livro, o mais bonito esteticamente.

Sabe o que significa Shangri-la? Wikipédia explica:

“Shangri-la, da criação literária de 1925 do inglês James Hilton, Lost Horizon (Horizonte Perdido), é descrito como um lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, sede de panoramas maravilhosos e onde o tempo parece deter-se em ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre pessoas das mais diversas procedências.”

O título remete a encontrar um paraíso perdido dentro de si, não fora — o que é a mesma coisa que a felicidade. Ou seja: todos nós buscamos nossa Shangri-la.

Livro Um Gay Suicida em Shangri-la
Livro Um Gay Suicida em Shangri-la

Dá pra ver um pouco mais da sinopse na foto acima! Depois de escrever a fantasia sombria “ereges de Santa Cruz” e o sádico romance “Sobre um garoto que beija garotos”, senti necessidade de compartilhar meus aprendizados pós-suicídio escrevendo um livro mais doce, o meio-termo entre meus dois primeiros filhotes.

Depois que revisei cinco vezes, ofereci o livro para amigos capazes e leitores interessados — como falei nesse post aqui, revisar é importante pra caramba! Tenho que agradecer ao Paulo Bessoni e ao Thiago “Hekator” Souza que me entregaram ótimas correções. Porém, o destaque vai para a Brunna Casati. Sem ganhar um tostão, ela leu o livro duas vezes para entregar um relatório completo com todos os erros e sugestões. Brunna, obrigado por dar tanto valor ao meu trabalho! Nunca vou agradecer o suficiente — e nunca vou esquecer disso ;)

Livro Um Gay Suicida em Shangri-la

A sensação de ter meu próprio livro nas mãos jamais se tornará ordinária — mesmo que já planeje lançar meu quarto título em dezembro! Preciso agradecer a você que lê o DDPP, compra meus livros e acredita no potencial de um garoto que está publicando de maneira independente, mas com muita qualidade — disso falo com orgulho! Não desista de seus sonhos! Se você se esforçar, será uma questão de tempo, nunca de um “talvez”.

Comic Book Men, quadrinhos na televisão!

Desde 2012 o canal AMC exibe nos EUA provavelmente o melhor programa de televisão (para nós) que poderiam ter pensado e olha que não é nada original.

Comic Book Men reality show loja de quadrinho

Comic Book Men reality show de loja de quadrinho

Comic Book Men foi idealizado pelo Kevin Smith, que achou ser uma boa ideia mostrar a rotina de uma loja de quadrinhos ao melhor estilo Trato Feito (esse quem tem History Channel conhece bem) e, para isso, ele chamou seu amigos de longa data (e também funcionários) que cuidam da sua loja de quadrinhos em New Jersey, a Jay and Silent Bob’s Secret Stash. Sim, o Kevin Smith tem uma loja de quadrinhos e sim, é tão original que leva o nome dos personagens dele.

O programa é gravado diariamente na loja e, ao longo do ano, Kevin visita a cidade e grava durante 4 ou 5 dias seguidos todas as tomadas em que ele aparece dentro do estúdio do podcast deles. Então, para manter a magia da televisão, os caras conversam como se Kevin fosse lá todos os dias perguntar “Ei, o que aconteceu de interessante na loja hoje?” mas na verdade tudo isso aconteceu meses atrás e a galera finge que foi ontem. Tudo pela televisão, certo?

Os episódios começaram com duração de 40 minutos mas isso durou só a primeira temporada. Da segunda em diante eles ficaram com 20 minutos de duração porém com uma grade de exibição mais “folgada”, podendo ter alguns episódios a mais do que o planejado pra compensar.

A “serie” em si é divida em 3 cenários distintos: o primeiro é o começo e o fim dos programas, que sempre acontece dentro do estúdio deles durante a gravação do podcast deles. É a turma em volta da mesa de som discutindo coisas variadas sobre o que aconteceu na loja ou algo especifico sobre algum quadrinho em questão (ou não). Algumas dessas gravações, além de irem ao ar no programa, vão ao ar no feed do podcast do programa deles (tem no iTunes).

O segundo cenário são os takes dentro da loja em si e costumam ocupar a maior parte do programa. Lá acontece de tudo, desde pessoas normais entrando e pedindo por quadrinhos “normais” até pessoas que buscam presentes pra namorados(as), pessoas que começaram a ler agora e querem os clássicos e por aí vai. Tudo serve de gatilho pros caras conversarem sobre algo, explicar algo do quadrinho ou do autor ou da história. Enfim.

Como é o Comic Book Men

Além disso acontecem as partes de compras e vendas de itens de colecionador, que costumam ser as partes mais interessantes do programa. Volta e meia aparecem pessoas vendendo revistas antigas, raridades, memorabilia e por ai vai. Nessas horas aparecem os avaliadores de itens de cultura pop e o programa fica absurdamente parecido com Trato Feito, só que nerd.

Muita coisa clássica e rara já apareceu no programa. Entre elas as primeiras edições de diversos personagens da Marvel e da DC, réplicas (e originais) dos veículos do programa do Batman do Adam West (assinado pelo mesmo e o resto da equipe), originais de artistas famosos e, um dos programas mais curiosos que eu vi até agora, a visita de Nichelle Nichols – a Tenente Uhura, de Star Trek – querendo comprar um action figure dela mesma! Ou o dia que o Kevin Smith pediu pro Hulk – Lou Ferrigno – ir até a loja ajudar um dos amigos a emagrecer.

Onde Assistir Comic Book Men

Após varias horas de pesquisas descobrimos trêsComic Book Men métodos para poder acompanhar o realy show Comic Book Men aqui no Brasil

1 – O sistema que conhecemos e adoramos é similar a netflix só que para canais ao vivo, O nome é IPTV Pago nele se acessado por um notebook pode até gravar os episódios. O Preço é muito bom a media que pesquisamos é de 20,00 mensal

2 – Realizar assinatura com uma operadora de tv via satelite por exemplo a claro, o serviço que ela oferece o canal que passam por aqui a AMC Brasil, o grande problema que precisa comprar um pacote anual e comprar varios canais junto, ou seja o valor fica muito alto mensal

3 – O terceiro é melhor jeito de assistir o Comic Book Men por que é o mais barato entre os citados é o Servidor CS com esse serviço você precisa de um receptor compatível com sistema cs e antena apontada, ao contrario do iptv que precisa de apenas uma internet de qualidade, esse sistema o valor médio é de 10,00 mensal se pagar por mais de um mês que não é difícil. Ainda pode ser gerado um teste cs 24 horas grátis ótimo não é?

E o terceiro cenário, que não acontece muito, é quando o pessoal da loja sai de lá para fazer alguma coisa na rua, seja procurar algo em especifico, ir em convenções, mercados de pulga ou até mesmo ajudar algum cliente antigo da loja (o que acontece bastante).

Conclusão

Enfim, é um programa curto, divertido e com bastante informação que – de fato – é interessante e útil pra nós, que gostamos (mais do que deveríamos) de quadrinhos. No Brasil o programa foi adquirido pelo grupo Fox e é exibido no NatGeo, sob o EXCELENTE nome de Maníacos por Comics. Com certeza quem traduziu foi alguém que nomeia filmes no SBT, tenho certeza.

Daytripper – Dica de Leitura

Como seria o seu dia se este fosse o seu último dia de vida?

É uma pergunta, ao mesmo tempo, complexa, simples e totalmente cliché mas que retrata – ou melhor – resume muito bem a “premissa” de Daytripper.

Daytripper

Daytripper é uma obra nascida das mãos e mentes dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, quadrinistas a frente do blog 10 pãezinhos e responsáveis por obras como Umbrella Academy e Casanova. Nela acompanhamos a(s) vida(s) de Brás de Oliva Domingos, um não-romancista fracassado e escritor de obituários.

Sua história começa exatamente no ponto em que sua vida termina, o que pode parecer meio sem sentido, quiça confuso mas que norteia muito bem toda a narração.

No quadrinho somos apresentados a diversas épocas da vida de Brás, com várias versões diferentes dele mesmo, desde um pequeno garotinho até um homem de idade avança e, não perdendo o gancho da pergunta que abriu esse post, vemos como foram os últimos momentos e as últimas decisões da vida de Brás em cada uma dessas versões, dessas épocas.

Por vezes essas passagens mostram-se grande viagens lisérgicas enquanto outras apresentam-se como reflexões realistas e cruas demais. Aproveitando-se de diversas ferramentas de narrativa e um pouquinho da marotagem teórica do paradoxo do gato de Schrödinger, vemos como Brás conseguiu vislumbrar várias versões, vertentes e desenrolamentos de sua vida a partir de cada decisão que ele possa ou não ter tomado.

São histórias que não se ligam, não partem – em momento algum – de um lugar comum e, definitivamente, não acabam no mesmo lugar somente da mesma maneira porém, ainda assim, mostram como aquele velho ditado de que “o destino é imutável e nenhuma decisão sua pode mudá-lo” pode ser bem verdade, até quando o seu destino não é o que realmente lhe parece.

Daytripper nasceu um clássico e sair de uma publicação mensal na Vertigo americana, assinada por dois estrangeiros, e tornar-se um encadernado premiado pelo Eisner Award (o Oscar dos quadrinhos, sic) é a pura prova disso. É um quadrinho complexamente simples, envolvente, dramático e belo no sentido mais puro da palavra.

E, nas palavras de Gerard Way – parceiro dos irmãos em Umbrella Academy – e Becky Cloonan:

Eles eram dois garotos viajando pelo mundo com o portfólio debaixo do braço e agora estão finalmente realizando a obra de suas vidas. O que mais espanta é que, para eles, isto é só o começo.

Gerard Way

Moon e Bá desenvolveram uma história assustadoramente humana, enredando os momentos que definem quem somos para tecer uma trama sobre vida e morte. Daytripper é uma experiência que vai seguir te acompanhando muito depois de terminada a leitura.

Becky Cloonan

Daytripper coleciona prêmios e fãs, além de ser – de longe – a HQ brasileira de maior sucesso no exterior, atualmente.

Para comprar

Edição capa dura, na Saraiva
Edições de cartonada ou capa dura (R$24,90 / R$62), na Comix

Novos X-Men: Ecos do Amanhã Dica de Leitura

Olá amigos que nos visitam, a postagem de hoje é sobre o encadernado enviado pela nossa parceira Comix,  Novos X-Men: Ecos do Amanhã que reúne as edições 151 à 154 da revista New X-Men.

A história dessa HQ é ambientada 150 anos no futuro, onde os X-Men já não são como foram um dia,  e o sonho do Professor Xavier passa a ser a sobrevivência dos mutantes que ainda estão vivos, uma vez que eles estão sendo caçados pelo Fera e seus Noturnos, que neste futuro tem como objetivo principal encontrar o Ovo da Fenix, que está sob proteção de Tom Skylark e seu amigo chamado Errante, um Sentinela 1ª Geração, que criou e cuidou dele desde a infância, vale lembrar que Fera foi contaminado pelo código genético Sublime após utilizar-se da droga chamada Porrada.

O roteirista Grant Morrison conseguiu fazer uma densa e rica narrativa com a quantidade de informação inserida em seu roteiro, nesse mundo sem humanos, os X-Men do futuro são liderados por Cassandra Nova Xavier, mantenedora de um santuário que foi construído em uma cratera onde ficava o Instituto Charles Xavier, além deles o roteirista inseriu também nesse futuro várias espécies descendentes dos humanos.

O disco voador usado por Fantomex chamado E.V.A  na realidade é uma sentinela geração N que desperta a atenção do nosso coleguinha Tom Skylark, tanto tecnologicamente como fisicamente falando, afinal E.V.A. tem um baita corpão mesmo para uma sentinela, e por incrível que pareça desperta o ciúme do sentinela Errante (percebemos isso quando ele sofre uma avaria muito grande e com isso fica  fora de combate por algum tempo no ápice da história).

Outra coisa interessante são os Noturnos utilizados pelo Fera, além do DNA do mutante Kurt Wagner, esses seres utilizam sequências genéticas  combinadas de outros mutantes pois o Fera possui todos os genes para usar em seus experimentos, e isso concede a eles além do teletransporte um poder adicional, como por exemplo os raios ópticos do Ciclope, o fator de cura de Wolverine ou qualquer outro poder mutante que ele tenha no seu banco de dados genético mutante.

Para piorar ainda mais, descobrimos a existência de um personagem chamado Appolyon um dos últimos seres chamados O-Men (humanos com implantes mutantes que tentaram com isso se tornar a terceira espécie) e auto-intitulado “Arauto do Poderoso Fera”, que aparece sempre implorando por melhorias com partes da Fênix em seu corpo, fazendo assim que suas horríveis dores cessem e assim possa ajudar seu mentor em seus planos malignos, mas é enganado pois o Fera desse futuro procura apenas saciar a sua vontade de destruir toda a raça mutante com a ajuda do poder da Fênix.

Em Novos X-Men: Ecos do Amanhã  temos personagens conhecidos, como as irmãs Stepford que participam desta história com a alcunha de Arma XIV, capazes de ler mentes, além de não envelhecer como os outros mutantes por fazerem parte da Arma Extra e o nosso baixinho carrancudo Wolverine, que aparenta estar mais jovem e mais tranquilo nesse futuro, também da o ar da graça, mas o destino não lhe reserva um bom final.

A HQ se encerra de forma surpreendente e promete explodir cabeças mostrando que um dos personagens principais da trama, responsável pela confusão está intimamente ligada com outras entidades  que tem a capacidade  de realizar mudanças tanto no passado como no futuro.

Grant Morrison conseguiu com essas quatro revistas mostrá-los de uma outra forma, ajudando a firmar os elementos que fizeram com que esse grupo ganhassem mais notoriedade entre os fãs e este enredo futurista confirma que Morrison acertou na pegada, mostrando que consegue agradar novos e antigos leitores.

A arte de Mark Silvestre é um show a parte. O estilo anos 90 que o consagrou como artista gráfico esta muito evidente no trabalho e não deixa a peteca cair, e isso foi no final das contas, o que mais me agradou no trabalho dele, pois me fez lembrar daquela época em que ele ficou a frente das história do Wolverine.

O trabalho dessa dupla mostrou que  Novo X-Men: Ecos do Amanhã é daquelas revistas que pode agradar alguns pelo roteiro, outros pela arte e colorização, para para mim valeu a pena ver que bons enredos ainda podem ser produzidos para os filhos do átomo com roteiro e ilustração trabalhando juntos.

Abraço pessoal é até a próxima.

Fabulas Lendas no Exílio – Dica de Leitura

“Um dia, fomos mil reinos separados, espalhados por cem mundos mágicos. Éramos reis e sapateiros. Magos e carpinteiros. Tínhamos nossos pecadores, nossos santos e nossos alpinistas sociais desavergonhados. E do mais grandioso lorde à menina camponesa mais simples, nós éramos, no geral, estranhos uns aos outros. Foi preciso uma invasão para nos unir.”

Lendas no Exílio - Dica de Leitura

“Uma a uma, nossas terras espalhadas caíram sob o domínio do Adversário, engolidas pelo seu império sempre crescente. Se tivéssemos nos unido mais cedo, poderíamos ter conseguido detê-lo. (…) Muitos de nós não tiveram a chance de fugir. (…) Vivemos como fora da lei e fantasmas. Até conseguirmos vir para cá, para este monótono lugar mundano: o único mundo pelo qual o Adversário parecia não se interessar.”

Esse trecho, retirado (não inteiro) de uma narrativa direto da revista, resume bem o que aconteceu e qual o pano de fundo de Fábulas. Todos os seres mágicos que conhecemos, e vários que não conhecemos, viviam em seus mundos até que um mal crescente – conhecido como o Adversário – tomou mundo por mundo, fazendo com que as personagens lendárias das fábulas se transformassem em refugiados, abandonando suas terras e indo para o único lugar aparentemente desinteressante: nosso mundo.

Aqui, as fábulas vivem entre nós. Aqueles que possuem um pouco de poder ou dinheiro conseguem encantos das bruxas para disfarçarem sua verdadeira aparência e “se camuflarem” entre os humanos. Os menos afortunados ou, por definição, imutáveis, vivem reclusos em matas, esgotos ou em fazendas construídas para os abrigarem.

No primeiro arco de Fábulas conhecemos algumas lendas bem conhecidas como, por exemplo, O Príncipe Encantado, João (de todas as histórias e contos de fadas que possuem um João), Branca de Neve e Lobo Mau. O Príncipe é um charlatão de primeira: vive sem dinheiro e batendo de porta em porta atrás de um rabo de saia do qual possa tirar algum proveito e tudo isso por culpa da Branca de Neve, sua ex-esposa, que o chutou pra fora de casa depois de flagrar o maridão dando uns amassos na sua irmã caçula, a Rosa Vermelha.

Lobo Mau tornou-se o detetive da “cidade das fábulas”, que nada mais é do que um bairro administrado como se fosse uma cidade. Suas habilidades de caça como lobo vieram bem a calhar como investigador e é com ele que a história começa, quando João (atual namorado da Rosa Vermelha), vem ao seu encontro dizendo que algo horrível aconteceu. Rosa sumiu e seu apartamento está coberto de sangue. E é aí que desanda a maionese na cidade das fábulas.

No desenrolar das histórias, várias outras personagens aparecem e cada uma delas, magistralmente adaptada para o real, seja por suas fobias ou seus vícios, ou até mesmo apresentando o reflexo exato de sua personalidade mágica no mundo real, como é o caso do Pinóquio (que é sensacional!).

A revista inteira é recheada de grandes diálogos e conflitos, reviravoltas e intrigas, investigações e cenários dignos de Agatha Christie porém, tudo dentro do fantasioso mundo das fábulas (e dos quadrinhos), sem nunca deixar o humor de lado. Que é o mais importante.

Fábulas, publicada ininterruptamente desde 2002, é um dos clássicos dos quadrinhos lá fora e vem ganhando mercado cada vez mais rápido aqui no Brasil. Em seu formato original já alcançou 18 encadernados (12 deles já lançados aqui no Brasil*), que somam 122 revistas mensais, além de 9 spin-offs e ganhou, até o momento, 14 prêmios Eisner, o Oscar dos quadrinhos. Segundo a IGN “a melhor série de quadrinhos em produção atualmente”.

Confesso que é difícil discordar da opinião da IGN. Leitura mais do que obrigatória.

Y The Last Man – Dica de Leitura

Para começar eu pergunto a vocês: O que vocês fariam se fossem o último HOMEM do planeta terra?

Nada que você pensou pode se comparar ao que o jovem Yorick escolheu, caso vocês ainda não tenham sacado estou falando de “Y The Last Man” uma das melhores HQs que eu já li.

O time de Y não poderia ser melhor: escrita por Brian K. Vaughan, que foi um dos responsáveis pelos roteiros de Lost (ok, o final não foi legal) e Ex Machina e com artes de Pia Guerra, velho conhecido para jogadores de RPG, responsável por desenhos de alguns livros como Vampiro — A Máscara, Changeling e Lobisomem — O Apocalipse, além de Marzá Jr. que desenhou as capas da obra.

A obra trás a narrativa de um mundo aonde uma praga de origem desconhecida matou a maioria das criaturas portadoras do cromossomo Y, que define o gênero masculino, sobrando apenas Yorick Brown e seu macaco Ampersand, e partir daí começa a saga para entender o que aconteceu com os homens bem como garantir, de certa forma, o reinicio da espécie humana, afinal sem homem como se faz, ou não faz?

O que me prende nessa HQ é a forma como o autor escreve como a sociedade sobreviveria a esta catástrofe, pois não querendo ser machista, sabemos que no mundo atual a maior parte dos governos estão nas mãos dos homens, assim como também outros cargos e empregos são dominado pelos homens, por exemplo: 99% dos mecânicos, eletricistas, pedreiros, assim como 100% dos sacerdotes católicos, muçulmanos, rabinos judeus ortodoxos. E todos estão mortos.

Como seria uma reestruturação mundial e as sequelas desse “generocídio”?

Brincando com esta ideia, Vaughan faz um ótimo trabalho de como imaginar o mundo mergulhado no caos distópico, mesmo que ainda lógico, partindo somente de pressupostos da nossa realidade atual, talvez sendo a parte mais difícil de uma HQ como esta. Possibilidades diversas surgem e são inseridas na historia, como por exemplo grupos radicais de feministas que se auto intitulam Amazonas, que assumem uma postura frente ao ocorrido de acreditar que a morte de todos os homens é uma benção, ou seja, um bando de sapatas revoltadas.

Intrigas políticas aparecem na HQ quando se descobre que ainda existe um homem vivo, logo a nação que o tiver, poderá se sobressair as outras, garantindo a supremacia. Os personagens coadjuvantes são intrigantes e importantes, pois no desenvolver da historia são eles que fazem o pano de fundo político, religioso e amoroso sendo inseridos e retirados da historia com uma leveza impressionante.

O personagem Yorick é meio babaca no inicio da HQs, tomando atitudes idiotas frente a importância de ser o último homem do planeta, fora isso seus ideais nobres de conseguir chegar até a Austrália para encontrar com sua namorada na esperança que ela esteja bem e assim finalmente repovoar o mundo a moda antiga são bem louváveis.

Este personagem nobre e romanceado frente ao caos instalado e a mulheres completamente loucas em hipótese alguma tende a parecer como uma forma de implicação aonde os homens são melhores do que as mulheres. Aliás estas diferenças sexuais são muito bem abordadas ao longo de toda historia.

A ideia política me chama muito a atenção como, por exemplo, quando o governo norte-americano fica sabendo sobre a existência do último homem e coloca Yorick sob vigilância, assim surge a Agente Especial 355 que o protege e o acompanha durante toda a historia, fora que outra pessoa entra para o grupo por ser uma cientista que estava próxima de conseguir o clone humano. Com essa premissa, a série deslancha percorrendo o que restou da civilização, vendo as consequências da tragédia e cada um com sua busca pessoal.

Apesar de eu ter passado uma ideia de uma HQ politizada e bastante pesada por conta do próprio tema, a série tem muito bom humor graças ao protagonista  que se comporta muitas vezes de forma infantil e até mesmo pelas situações de adaptação a esta nova realidade.

Finalizando, quem ficou interessado pela revista poderá encontrar nas bancas através do selo Vertigo da Panini. O encadernado em questão esta muito bem produzido, a serie nos Estados Unidos saiu mensalmente em 60 edições, já no Brasil esta saindo em um compilado com 5 edições por encadernação.

Outra coisa que surgiu recentemente foi um fan filme muito bem produzido de 20 e poucos minutos, vale a pena conferir abaixo:

No mais já decidiu o que você faria se fosse o ultimo homem da terra? So não pode ser asanoturniano se não ferrava tudo.