Clube da Luta tem continuação em quadrinhos anunciada na SDCC

A continuação do livro, que deu origem a o filme homônimo, foi confirmada pelo próprio Chuck Palahniuk, autor da obra, durante um painel da Comic Con deste ano. Tal continuação virá na forma de uma graphic novel que deve ser lançada só em 2015 e contará a história no ponto de vista de Tyler, 10 anos depois ele ainda vive dentro de Jack e em algum ponto irá sequestrar seu filho. Rumores dizem que a graphic novel está sendo produzida em parceria com a Marvel porém, segundo palavras do autor, ainda não há editoras envolvidas no processo. Seguem as palavras de Palhniuk:

Clube da Luta

Sobre a graphic novel, é verdade. Chelsea Cain tem me apresentado para artistas e criadores da Marvel, DC e Dark Horse, e eles estão me levando para esse processo. Ele provavelmente será uma série de livros que retoma a história 10 anos depois do aparente fim de Tyler Durden. Nesse momento, Tyler está contando a história, escondido dentro de Jack, e pronto para sair e retornar.

Jack está alheio. Marla está entediada. O casamento deles está preso na entediante fase de meia idade no subúrbio. É apenas quando o filho deles desaparece, raptado por Tyler, que Jack é puxado novamente par ao mundo da “mutilação física”. A história será, claro, sombria e obscura. Devido a obrigações contratuais, não posso falar mais. Ano que vem é “Beautiful You” que ganha sequência. Mas como o Clube da Luta será seriada em graphic novel, meu editor provavelmente permitirá que o lançamento seja antes de 2015.

Sinta-se livre para divulgar qualquer ou todas essas informações. Nós ainda não começamos a cortejar uma editora específica, não até que eu feche a história completa.

Fábulas: A Revolução dos Bichos Dica de Leitura

A Revolução dos Bichos começa com Rosa Vermelha e Branca de Neve saindo da Cidade das Fábulas para visitar A Fazenda e ver se está tudo em ordem por lá, além disso o plano por trás da viagem é Branca de Neve “deixar” sua irmã ajudar no trabalho da fazenda como forma de punição pelo fuzuê causado com sua morte forjada (Fábulas vol. 1 – Lendas no Exílio).

A Revolução dos Bichos

Enquanto João cumpre sua pena fazendo trabalho de faxineiro na cidade, a dupla de irmãs pega seu rumo para o interior, acompanhadas de Cícero, um dos Três Porquinhos.

Tão logo se aproximam da fazenda, Branca nota que alguma coisa está diferente. Sinais de coisas mundanas são encontrados nas redondezas da fazenda, algo que deveria ser impossível devido as magias ali postas. Chegando ao vilarejo da fazenda em si, Branca e Rosa encontram o lugar deserto, quase abandonado, vindo a descobrir que vários dos “animais” dali estavam reunidos no celeiro.

Quem conduzia a reunião eram os dois Porquinhos remanescentes e, segundo eles, o intuito de tudo aquilo era planejar uma retomada do mundo das Fábulas das mãos do Adversário.

No desenrolar da história acabamos descobrindo que os planos eram muito maiores e complexos que isso. As fábulas da fazenda sentiam-se cada vez mais animais, conforme viviam confinados na fazenda, proibidos de contato com o mundo dos mundanos. Não demorou para que grande parte dos seres ali se sentissem compelidos a confrontar as fábulas “humanas”, na cidade grande, exigindo sua liberdade de direito. Porém as coisas tomaram outras proporções…

A trama de A Revolução dos Bichos se desenrola com muito mais rapidez do que em Lendas no Exílio.

Não é preciso perder tempo introduzindo personagens nem explicando nada, o leitor pode ir direto ao que é importante na história e partir para as vias de fato, então é isso que o roteirista nos dá.

Entretanto, como contrapeso da rapidez/fluidez da história, temos uma trama mais rasa, sem uma grande investigação ou grande suspense. Os planos dos protagonistas são expostos logo de inicio, deixando para os mocinhos (e você, leitor) somente ir atrás da solução para sair dali.

Um ponto extremamente positivo do trabalho de Willingham é preocupar-se com a divisão de cenas entre as Fábulas. Por mais “principais” ou carismáticos que alguns personagens da série sejam, o roteiro é pensado para que cada um dos personagens, recorrente ou não, tenha espaço.

Por exemplo: no volume 1 da série Bigby Wolf, o Lobo Mau, e João protagonizam grande parte da revista. Nesta, eles são “deixados de lado”, apresentando personagens desconhecidos e relevantes para a trama, aumentando a gama de Fábulas sem excluir os outros que já tiveram seus 15 minutos de fama.

O material, assim como o primeiro volume, é de ótima qualidade. Muito bem editado, boa impressão e bom papel. Apesar de não ser um encadernado grande, proporciona uma pega boa para leitura e se comporta bem na prateleira, quando guardado. Vale o quanto custa e está na lista de leitura obrigatória.

Daytripper – Dica de Leitura

Como seria o seu dia se este fosse o seu último dia de vida?

É uma pergunta, ao mesmo tempo, complexa, simples e totalmente cliché mas que retrata – ou melhor – resume muito bem a “premissa” de Daytripper.

Daytripper

Daytripper é uma obra nascida das mãos e mentes dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, quadrinistas a frente do blog 10 pãezinhos e responsáveis por obras como Umbrella Academy e Casanova. Nela acompanhamos a(s) vida(s) de Brás de Oliva Domingos, um não-romancista fracassado e escritor de obituários.

Sua história começa exatamente no ponto em que sua vida termina, o que pode parecer meio sem sentido, quiça confuso mas que norteia muito bem toda a narração.

No quadrinho somos apresentados a diversas épocas da vida de Brás, com várias versões diferentes dele mesmo, desde um pequeno garotinho até um homem de idade avança e, não perdendo o gancho da pergunta que abriu esse post, vemos como foram os últimos momentos e as últimas decisões da vida de Brás em cada uma dessas versões, dessas épocas.

Por vezes essas passagens mostram-se grande viagens lisérgicas enquanto outras apresentam-se como reflexões realistas e cruas demais. Aproveitando-se de diversas ferramentas de narrativa e um pouquinho da marotagem teórica do paradoxo do gato de Schrödinger, vemos como Brás conseguiu vislumbrar várias versões, vertentes e desenrolamentos de sua vida a partir de cada decisão que ele possa ou não ter tomado.

São histórias que não se ligam, não partem – em momento algum – de um lugar comum e, definitivamente, não acabam no mesmo lugar somente da mesma maneira porém, ainda assim, mostram como aquele velho ditado de que “o destino é imutável e nenhuma decisão sua pode mudá-lo” pode ser bem verdade, até quando o seu destino não é o que realmente lhe parece.

Daytripper nasceu um clássico e sair de uma publicação mensal na Vertigo americana, assinada por dois estrangeiros, e tornar-se um encadernado premiado pelo Eisner Award (o Oscar dos quadrinhos, sic) é a pura prova disso. É um quadrinho complexamente simples, envolvente, dramático e belo no sentido mais puro da palavra.

E, nas palavras de Gerard Way – parceiro dos irmãos em Umbrella Academy – e Becky Cloonan:

Eles eram dois garotos viajando pelo mundo com o portfólio debaixo do braço e agora estão finalmente realizando a obra de suas vidas. O que mais espanta é que, para eles, isto é só o começo.

Gerard Way

Moon e Bá desenvolveram uma história assustadoramente humana, enredando os momentos que definem quem somos para tecer uma trama sobre vida e morte. Daytripper é uma experiência que vai seguir te acompanhando muito depois de terminada a leitura.

Becky Cloonan

Daytripper coleciona prêmios e fãs, além de ser – de longe – a HQ brasileira de maior sucesso no exterior, atualmente.

Para comprar

Edição capa dura, na Saraiva
Edições de cartonada ou capa dura (R$24,90 / R$62), na Comix

Novos X-Men: Ecos do Amanhã Dica de Leitura

Olá amigos que nos visitam, a postagem de hoje é sobre o encadernado enviado pela nossa parceira Comix,  Novos X-Men: Ecos do Amanhã que reúne as edições 151 à 154 da revista New X-Men.

A história dessa HQ é ambientada 150 anos no futuro, onde os X-Men já não são como foram um dia,  e o sonho do Professor Xavier passa a ser a sobrevivência dos mutantes que ainda estão vivos, uma vez que eles estão sendo caçados pelo Fera e seus Noturnos, que neste futuro tem como objetivo principal encontrar o Ovo da Fenix, que está sob proteção de Tom Skylark e seu amigo chamado Errante, um Sentinela 1ª Geração, que criou e cuidou dele desde a infância, vale lembrar que Fera foi contaminado pelo código genético Sublime após utilizar-se da droga chamada Porrada.

O roteirista Grant Morrison conseguiu fazer uma densa e rica narrativa com a quantidade de informação inserida em seu roteiro, nesse mundo sem humanos, os X-Men do futuro são liderados por Cassandra Nova Xavier, mantenedora de um santuário que foi construído em uma cratera onde ficava o Instituto Charles Xavier, além deles o roteirista inseriu também nesse futuro várias espécies descendentes dos humanos.

O disco voador usado por Fantomex chamado E.V.A  na realidade é uma sentinela geração N que desperta a atenção do nosso coleguinha Tom Skylark, tanto tecnologicamente como fisicamente falando, afinal E.V.A. tem um baita corpão mesmo para uma sentinela, e por incrível que pareça desperta o ciúme do sentinela Errante (percebemos isso quando ele sofre uma avaria muito grande e com isso fica  fora de combate por algum tempo no ápice da história).

Outra coisa interessante são os Noturnos utilizados pelo Fera, além do DNA do mutante Kurt Wagner, esses seres utilizam sequências genéticas  combinadas de outros mutantes pois o Fera possui todos os genes para usar em seus experimentos, e isso concede a eles além do teletransporte um poder adicional, como por exemplo os raios ópticos do Ciclope, o fator de cura de Wolverine ou qualquer outro poder mutante que ele tenha no seu banco de dados genético mutante.

Para piorar ainda mais, descobrimos a existência de um personagem chamado Appolyon um dos últimos seres chamados O-Men (humanos com implantes mutantes que tentaram com isso se tornar a terceira espécie) e auto-intitulado “Arauto do Poderoso Fera”, que aparece sempre implorando por melhorias com partes da Fênix em seu corpo, fazendo assim que suas horríveis dores cessem e assim possa ajudar seu mentor em seus planos malignos, mas é enganado pois o Fera desse futuro procura apenas saciar a sua vontade de destruir toda a raça mutante com a ajuda do poder da Fênix.

Em Novos X-Men: Ecos do Amanhã  temos personagens conhecidos, como as irmãs Stepford que participam desta história com a alcunha de Arma XIV, capazes de ler mentes, além de não envelhecer como os outros mutantes por fazerem parte da Arma Extra e o nosso baixinho carrancudo Wolverine, que aparenta estar mais jovem e mais tranquilo nesse futuro, também da o ar da graça, mas o destino não lhe reserva um bom final.

A HQ se encerra de forma surpreendente e promete explodir cabeças mostrando que um dos personagens principais da trama, responsável pela confusão está intimamente ligada com outras entidades  que tem a capacidade  de realizar mudanças tanto no passado como no futuro.

Grant Morrison conseguiu com essas quatro revistas mostrá-los de uma outra forma, ajudando a firmar os elementos que fizeram com que esse grupo ganhassem mais notoriedade entre os fãs e este enredo futurista confirma que Morrison acertou na pegada, mostrando que consegue agradar novos e antigos leitores.

A arte de Mark Silvestre é um show a parte. O estilo anos 90 que o consagrou como artista gráfico esta muito evidente no trabalho e não deixa a peteca cair, e isso foi no final das contas, o que mais me agradou no trabalho dele, pois me fez lembrar daquela época em que ele ficou a frente das história do Wolverine.

O trabalho dessa dupla mostrou que  Novo X-Men: Ecos do Amanhã é daquelas revistas que pode agradar alguns pelo roteiro, outros pela arte e colorização, para para mim valeu a pena ver que bons enredos ainda podem ser produzidos para os filhos do átomo com roteiro e ilustração trabalhando juntos.

Abraço pessoal é até a próxima.

Fabulas Lendas no Exílio – Dica de Leitura

“Um dia, fomos mil reinos separados, espalhados por cem mundos mágicos. Éramos reis e sapateiros. Magos e carpinteiros. Tínhamos nossos pecadores, nossos santos e nossos alpinistas sociais desavergonhados. E do mais grandioso lorde à menina camponesa mais simples, nós éramos, no geral, estranhos uns aos outros. Foi preciso uma invasão para nos unir.”

Lendas no Exílio - Dica de Leitura

“Uma a uma, nossas terras espalhadas caíram sob o domínio do Adversário, engolidas pelo seu império sempre crescente. Se tivéssemos nos unido mais cedo, poderíamos ter conseguido detê-lo. (…) Muitos de nós não tiveram a chance de fugir. (…) Vivemos como fora da lei e fantasmas. Até conseguirmos vir para cá, para este monótono lugar mundano: o único mundo pelo qual o Adversário parecia não se interessar.”

Esse trecho, retirado (não inteiro) de uma narrativa direto da revista, resume bem o que aconteceu e qual o pano de fundo de Fábulas. Todos os seres mágicos que conhecemos, e vários que não conhecemos, viviam em seus mundos até que um mal crescente – conhecido como o Adversário – tomou mundo por mundo, fazendo com que as personagens lendárias das fábulas se transformassem em refugiados, abandonando suas terras e indo para o único lugar aparentemente desinteressante: nosso mundo.

Aqui, as fábulas vivem entre nós. Aqueles que possuem um pouco de poder ou dinheiro conseguem encantos das bruxas para disfarçarem sua verdadeira aparência e “se camuflarem” entre os humanos. Os menos afortunados ou, por definição, imutáveis, vivem reclusos em matas, esgotos ou em fazendas construídas para os abrigarem.

No primeiro arco de Fábulas conhecemos algumas lendas bem conhecidas como, por exemplo, O Príncipe Encantado, João (de todas as histórias e contos de fadas que possuem um João), Branca de Neve e Lobo Mau. O Príncipe é um charlatão de primeira: vive sem dinheiro e batendo de porta em porta atrás de um rabo de saia do qual possa tirar algum proveito e tudo isso por culpa da Branca de Neve, sua ex-esposa, que o chutou pra fora de casa depois de flagrar o maridão dando uns amassos na sua irmã caçula, a Rosa Vermelha.

Lobo Mau tornou-se o detetive da “cidade das fábulas”, que nada mais é do que um bairro administrado como se fosse uma cidade. Suas habilidades de caça como lobo vieram bem a calhar como investigador e é com ele que a história começa, quando João (atual namorado da Rosa Vermelha), vem ao seu encontro dizendo que algo horrível aconteceu. Rosa sumiu e seu apartamento está coberto de sangue. E é aí que desanda a maionese na cidade das fábulas.

No desenrolar das histórias, várias outras personagens aparecem e cada uma delas, magistralmente adaptada para o real, seja por suas fobias ou seus vícios, ou até mesmo apresentando o reflexo exato de sua personalidade mágica no mundo real, como é o caso do Pinóquio (que é sensacional!).

A revista inteira é recheada de grandes diálogos e conflitos, reviravoltas e intrigas, investigações e cenários dignos de Agatha Christie porém, tudo dentro do fantasioso mundo das fábulas (e dos quadrinhos), sem nunca deixar o humor de lado. Que é o mais importante.

Fábulas, publicada ininterruptamente desde 2002, é um dos clássicos dos quadrinhos lá fora e vem ganhando mercado cada vez mais rápido aqui no Brasil. Em seu formato original já alcançou 18 encadernados (12 deles já lançados aqui no Brasil*), que somam 122 revistas mensais, além de 9 spin-offs e ganhou, até o momento, 14 prêmios Eisner, o Oscar dos quadrinhos. Segundo a IGN “a melhor série de quadrinhos em produção atualmente”.

Confesso que é difícil discordar da opinião da IGN. Leitura mais do que obrigatória.

Y The Last Man – Dica de Leitura

Para começar eu pergunto a vocês: O que vocês fariam se fossem o último HOMEM do planeta terra?

Nada que você pensou pode se comparar ao que o jovem Yorick escolheu, caso vocês ainda não tenham sacado estou falando de “Y The Last Man” uma das melhores HQs que eu já li.

O time de Y não poderia ser melhor: escrita por Brian K. Vaughan, que foi um dos responsáveis pelos roteiros de Lost (ok, o final não foi legal) e Ex Machina e com artes de Pia Guerra, velho conhecido para jogadores de RPG, responsável por desenhos de alguns livros como Vampiro — A Máscara, Changeling e Lobisomem — O Apocalipse, além de Marzá Jr. que desenhou as capas da obra.

A obra trás a narrativa de um mundo aonde uma praga de origem desconhecida matou a maioria das criaturas portadoras do cromossomo Y, que define o gênero masculino, sobrando apenas Yorick Brown e seu macaco Ampersand, e partir daí começa a saga para entender o que aconteceu com os homens bem como garantir, de certa forma, o reinicio da espécie humana, afinal sem homem como se faz, ou não faz?

O que me prende nessa HQ é a forma como o autor escreve como a sociedade sobreviveria a esta catástrofe, pois não querendo ser machista, sabemos que no mundo atual a maior parte dos governos estão nas mãos dos homens, assim como também outros cargos e empregos são dominado pelos homens, por exemplo: 99% dos mecânicos, eletricistas, pedreiros, assim como 100% dos sacerdotes católicos, muçulmanos, rabinos judeus ortodoxos. E todos estão mortos.

Como seria uma reestruturação mundial e as sequelas desse “generocídio”?

Brincando com esta ideia, Vaughan faz um ótimo trabalho de como imaginar o mundo mergulhado no caos distópico, mesmo que ainda lógico, partindo somente de pressupostos da nossa realidade atual, talvez sendo a parte mais difícil de uma HQ como esta. Possibilidades diversas surgem e são inseridas na historia, como por exemplo grupos radicais de feministas que se auto intitulam Amazonas, que assumem uma postura frente ao ocorrido de acreditar que a morte de todos os homens é uma benção, ou seja, um bando de sapatas revoltadas.

Intrigas políticas aparecem na HQ quando se descobre que ainda existe um homem vivo, logo a nação que o tiver, poderá se sobressair as outras, garantindo a supremacia. Os personagens coadjuvantes são intrigantes e importantes, pois no desenvolver da historia são eles que fazem o pano de fundo político, religioso e amoroso sendo inseridos e retirados da historia com uma leveza impressionante.

O personagem Yorick é meio babaca no inicio da HQs, tomando atitudes idiotas frente a importância de ser o último homem do planeta, fora isso seus ideais nobres de conseguir chegar até a Austrália para encontrar com sua namorada na esperança que ela esteja bem e assim finalmente repovoar o mundo a moda antiga são bem louváveis.

Este personagem nobre e romanceado frente ao caos instalado e a mulheres completamente loucas em hipótese alguma tende a parecer como uma forma de implicação aonde os homens são melhores do que as mulheres. Aliás estas diferenças sexuais são muito bem abordadas ao longo de toda historia.

A ideia política me chama muito a atenção como, por exemplo, quando o governo norte-americano fica sabendo sobre a existência do último homem e coloca Yorick sob vigilância, assim surge a Agente Especial 355 que o protege e o acompanha durante toda a historia, fora que outra pessoa entra para o grupo por ser uma cientista que estava próxima de conseguir o clone humano. Com essa premissa, a série deslancha percorrendo o que restou da civilização, vendo as consequências da tragédia e cada um com sua busca pessoal.

Apesar de eu ter passado uma ideia de uma HQ politizada e bastante pesada por conta do próprio tema, a série tem muito bom humor graças ao protagonista  que se comporta muitas vezes de forma infantil e até mesmo pelas situações de adaptação a esta nova realidade.

Finalizando, quem ficou interessado pela revista poderá encontrar nas bancas através do selo Vertigo da Panini. O encadernado em questão esta muito bem produzido, a serie nos Estados Unidos saiu mensalmente em 60 edições, já no Brasil esta saindo em um compilado com 5 edições por encadernação.

Outra coisa que surgiu recentemente foi um fan filme muito bem produzido de 20 e poucos minutos, vale a pena conferir abaixo:

No mais já decidiu o que você faria se fosse o ultimo homem da terra? So não pode ser asanoturniano se não ferrava tudo.

Dica de Leitura – Quadrinhos A2

Quadrinhos A2 é uma iniciativa de Paulo Crumbim e Cristina Eiko, em retratar de forma descontraída e “fantasiosa” o dia a dia da vida do casal. O projeto começou como algumas tirinhas na web, logo transformando-se em webcomics até, por fim, ser adaptado para o formato encadernado e distribuido de forma independente.

O principal destaque do trabalho do casal é o “roteiro” e em como ele é apresentado. Quadrinhos biográficos tem uma dificuldade muito maior de agradar a grande massa por ser algo extremamente pessoal e, facilmente, conversar com um público menor mas isso não acontece com o Quadrinhos A2.

Situações corriqueiras como sonhos com extraterrestres ou uma ida até a academia, viram motivo de história – na maioria das vezes, contada em duas versões ou paralelamente, uma de cada um dos autores – e mostra como ser estranho e normal é, pelo menos aqui, original e divertido.

A famosa técnica cinematográfica de conversar com o telespectador é empregada aqui também, com as devidas proporções, e torna tudo mais pessoal do que já é. A imersão no mundo dos autores é tão automática e rápida que, uma simples tira contando do dia a dia do fechando da edição encadernada, sem ter uma história para terminar a edição, faz um gancho e gera uma necessidade de ler mais muito maior do que hiatos de grandes sagas dos quadrinhos.

O traço dos autores é nitidamente inspirado no estilo de desenho oriental, apesar de extremamente minimalista, o que dá um toque bem peculiar e original, transparecendo algo inédito e não simplesmente mais um formato de quadrinho baseado no estilo japonês.

Quadrinhos A2 é uma obra simples porém muito bem feita e fácil de se gostar, divertida, carismática e original. No site é possível encontrar as tironas inéditas na publicação impressa além do link para a compra do encadernado, que pode vir com dedicatória, como o meu, além de o casal sempre personalizar as embalagens em que o encadernado é enviado, com diversos personagens e temas diferentes o que torna a leitura e a compra muito mais pessoal.

:)

Artistas recriam primeira edição de Rom

Desde que sofreu um acidente andando de patins em 1992, Bill Mantlo tem dependido da bondade de estranhos. Com sérios danos cerebrais, ele mal consegue realizar suas funções básicas e tem sido ajudado pelo meio, que até já criou uma conta com o nome do autor em que todos podem depositar e ajuda-lo em sua sobrevida.

Artistas recriam primeira edição de Rom

De tempos em tempos algum grupo se reúne e faz algum projeto baseado em alguma de suas criações mais importantes. O alvo da vez é o Rom, o cavaleiro espacial, que pode não ter sido criação sua, mas teve seu roteiro em todas as 75 edições da revista. Um grupo de 20 artistas está recriando a primeira edição do título. O projeto batizado de ROM Remix é um trabalho voluntário cujos lucros serão voltados para o autor, cuja manutenção da sobrevida requer uma quantidade alta de verba externa, afinal, ele não pode colaborar com o próprio sustento.

O autor é o criador de Rocket Racoon, que ganhará o mundo este ano como um membro dos Guardiões da Galáxia, filme do qual ele supostamente não recebeu nenhum reembolso pelo uso de uma de suas criações.

2 por 1! / Homens-Aranha e um mistério…

Enfim uma das coisas mais improváveis, para não dizer impossíveis e indesejáveis, do universo aracnídeo aconteceu: Peter Parker e Miles Morales se encontraram!

É verdade, amiguinhos…

2 Homens-Aranha juntos

Um dos grandes argumentos que fazia os fãs do cabeça de teia não imaginarem tal encontro baseava-se na dúvida de como unir dois personagens de universos distintos. A única saída aparente seria tocar o puteiro na linha espaço-temporal das duas linhas editoriais, causar uma catastrofe gigante e criar um buraco negro ou vórtice temporal que servisse de porta entre os dois universos e por aí vai, causando o maior fuzuê e etc.

SÓ QUE NÃO! A resposta certa nunca é a mais óbvia mas, quase sempre, é a mais simples. Porque não usar um dos inimigos mais corriqueiros do herói, adorado por muitos e odiados por multidões? Sim! Mistério!

2 Homens-Aranha

Aquele que, por muito tempo – e na mão de muitos roteiristas – foi subutilizado e rebaixado ao segundo escalão de vilões do Aranha, caiu como uma luva no impasse de como colocar os dois amigões da vizinhança frente a frente. Una à isso algum tipo de tecnologia bizarra, digna de Tony Stark e Reed Richards, e pronto! O circo está armado.

No primeiro volume, de um total de cinco edições, não recebemos grandes detalhes da trama, do que está acontecendo ou do que está para acontecer. Tudo que acontece, acontece rápido – como toda boa história do Aranha – e, quando você menos percebe, nosso herói faz uma burrada e a vaca vai pro brejo.

A revista termina no melhor estilo novela da Globo: mocinhos se encontrando, embasbacados, sem entender nada. É ÓBVIO que você vai ficar roendo as unhas até o volume dois chegar pra saber o que vai acontecer, nem precisava ter história boa pra isso acontecer.

O roteiro está nas mãos de Brian Michael Bendis, ninguém mais ninguém menos que o cara responsável por grande parte do que o universo Ultimate é hoje. Além disso, consta no curriculo do cara, trabalhos com Demolidor, Alias, a saga Dinastia M e a excelente HQ policial Powers.

Quem assume os desenhos é Sara Pichelli. Sara é uma das artistas da nova leva dos quadrinhos, trabalhando a “pouco tempo” com a Marvel. Já desenhou alguma coisa dos X-Men e, a partir do segundo volume de Ultimate Comics: Spider-Man, Sara foi contratada como artista principal responsável pelo aracnídeo na linha editorial.

quadrinho do homem aranha

Para os fãs de longa data do amigão da vizinhança, junto com o traço mais “pop” – definido assim por ela mesma – é possivel identificar algumas referências ao estilo clássico do desenho, principalmente na movimentação do Aranha, nos remetendo à dinâmica utilizada na década de 80 e 90 por John Romita Jr. e Todd McFarlane.
Por fim, mas não menos importante, a colorização fica na responsabilidade de Justin Ponsor. Justin é um colorista recorrente nas revistas do Aranha no universo Ultimate, já tendo – também – trabalhado em algumas edições dos X-Men e dos Vingadores, além de ter colorido uma boa parte da mega-saga Fear Itself (A Essência do Medo aqui no Brasil). O que recebemos nessa revista é uma pintura digital repleta de tons e sobre-tons muito bem definidos e delineados com alguns efeitos de pintura com aquarela, só como requinte.

Um trabalho muito bem capitaneado pelo trio, que empolga e cativa. Uma pena ser uma revista tão curta e que dure um mês para continuar…

Por onde começar a ler quadrinhos?

“… mas por onde eu começo a ler histórias em quadrinhos? Como ler”

Quem aqui nunca ouviu ou fez essa pergunta, hein? Fosse você criança conversando com seu amiguinho nerdão na escola ou falando com o moleque mais velho da turma, fosse adulto e algum transeunte aleatório – ou, veja você, um amigo – perguntou isso pra você na esperança de uma resposta melhor que o genérico Turma da Mônica ou Batman. Com certeza todo mundo já se deparou com essa dúvida.

como ler quadrinhos

Começar a ler quadrinhos não é algo complexo ou muito difícil, nem possui tantas áreas cinzas e terrenos delicados a abordar como o cinema mas, ainda assim, tem alguma “metodologia” e lógica a ser seguida. Ler em si, independente do que seja, não é ruim e, via de regra, nunca vai ser um estraga-prazeres porém é claro que sempre vão haver aquelas leituras melhores e mais indicadas que as outras.

Assim como música ou o cinema os quadrinhos também possuem estilos e categorias diferentes. Então, se você quer realmente saber por onde começar a ler quadrinhos, comece pensando o seguinte:

1) Qual o tipo de histórias você gosta?

Responder isso é fácil (pelo menos para a maioria das pessoas) e não requer levar em consideração os quadrinhos para pensar nela. Você é o tipo de pessoa que gosta de heróis super poderosos ou prefere o heroísmo histórico, de capa e espada? Ou heróis não são sua praia e você prefere dramas policiais? Quem sabe suspense? Tramas sobrenaturais? Quem sabe até dramas baseados em acontecimentos históricos? Qualquer resposta é certa, desde que seja verdadeira. Achar que você talvez, quem sabe goste mais ou menos de uma coisa, sem ter a certeza e optar por pura curiosidade pode resultar em um começo infeliz e mais dificultoso nessas novas leituras então seja sincero consigo mesmo e vá no garantido (depois você vai no caprichoso XD).

Depois de responder essa pergunta o resto fica bem mais fácil porém há algo que é muito importante e muita gente, quando indica algum quadrinho para alguém novo na área, esquece e pode comprometer definitivamente o novo hobby.

2) Você tem paciência para “conhecer a história” ou prefere “viver a história”?

Explico: imagine que você nunca leu quadrinho nenhum e, depois de sair dos cinemas, você resolve ir atrás de uma revistinha dos Guardiões da Galáxia. Deve estar pensando “Nossa, o filme foi tão divertido! Se isso veio dos quadrinhos então as histórias deles devem ser legais assim também”.

Aí, na volta pra casa, você pára na livraria ou na banca e compra alguma revista deles que esteja por lá. As chances são de que, muito provavelmente, você acabe levando um volume mensal qualquer. Chegando em casa você começa a ler, empolgadão, e depois da primeira ou segunda página começa a ver que não conhece ninguém, o enredo da história não é nem um pouco igual ao que tinha no filme, os personagens estão indo ou voltando ou fazendo algo em algum lugar que você não faz ideia de por que ou pra quem ou como. E por aí vai, é só o começo das dúvidas.

Antes do fim da revista você provavelmente já desistiu porque não estava entendendo mais nada e não fazia sentido, o que deveria ser divertido ficou enfadonho e matou seu interesse antes de terminar de despertá-lo.

Se você é o tipo de pessoa que tem paciência com as coisas e prefere conhecer o terreno por onde está andando, você não vai se incomodar de ir atrás de revistas antigas, ler uma ou outra velharia que explique a origem do personagem ou algo assim, algo que seja o suficiente pra lhe munir como o básico necessário pra entender o que está acontecendo nas outras revistas. Essa pessoa, quase sempre, não começa com revistas mensais, avulsas e sem começo nem fim.

Agora, se você prefere viver a história, vendo o que acontece e como é resolvido, independente de quem esteja resolvendo ou de onde vieram e não tem pressa em saber quem é quem e qual o motivo de tudo, esperando para ver o que acontece na história nas próximas revistas, daí talvez – e é um talvez bem grande – você consiga começar a ler por uma ou outra revista mensal especifica.

Mas, independente de tudo isso, os quadrinhos nunca serão como nos filmes. Ponto final. Entenda isso e seu começo vai ser 50% mais fácil e menos estraga-prazeres.

Mas próximas postagens tentarei resumir o que há de melhor (na minha opinião) em cada categoria de histórias em quadrinho. Muita coisa vai ficar de fora mas, como é pra ser um começo, já vai servir. Então, sente, relaxe, tire os calçados e boa leitura.