Porque Batman TDKR NÃO é um conto fascista (Parte II)

Olá tripulantes fãs do Morcegão, continuamos aqui a nossa empreitada por esse post do Batman, se ficou perdido, você pode encontrar a Parte I aqui.

3- Com Grandes Poderes… sobre super-heroísmo, fascismo e direita

O que escapa aos olhos do crítico é que a discussão sobre heroísmo e fascismo já vinha de longa data e TDKR é informado por essa discussão. Assim, o ponto de partida é exatamente um herói fascista que será transformado progressivamente ao longo da história.

Mais ainda: a restrição moral de Batman (não matar) continua. Nesse sentido, não podemos concordar com a hipótese – ademais impossível de ser verificada – de que Frank Miller, caso pudesse, colocaria Batman matando o Coringa em seu confronto final.

Tanto essa cena como a presença de grupos neonazistas no começo da revista apontam para uma aproximação perigosa. Seria ele diferente do grupo que combate? Batman aproxima-se de uma linha limite, progressivamente, sem nunca tocá-la. É notável, porém, que ele está se aproximando cada vez mais da personalidade demoníaca do morcego… Bruce Wayne corre cada vez mais o risco de ser apagado, essa suave linha moral corre o risco de sumir.

É ainda mais curioso notar o quanto essa linha foi eticamente informada por Frank Miller. Se nos anos 1980 falamos de um Batman extremamente violento capaz de deixar o Coringa paraplégico, é notável que em 2013 seja extremamente natural que o Superman mate seu adversário em seu mais recente filme, sem sofrer uma acusação sequer de fascismo… e isso quando o diretor Zack Snyder nem de longe chega a fazer qualquer uma das ressalvas apresentadas por Miller: em nenhum momento temos motivo dentro da história para duvidar da capacidade moral do Super-homem de tomar aquela decisão. Ela é apresentada como necessária, pura e simplesmente. Aliás, em muitas cenas ele é apresentado como moralmente superior.

Mais ainda: enquanto em TDKR o Coringa se mata EXATAMENTE por saber que aquilo seria perturbador para Batman, Superman não tem NENHUMA sequela emocional por matar o Zod.

Em TDKR, Superman se conforma em trabalhar para o governo, enquanto Bruce resolve manter-se afastado do controle do Estado.

Mas, ora bolas, além da violência, não há uma mensagem anti-governo-democrático (apresentado sempre como inapto e corrupto) em Cavaleiro das Trevas?

Sim. Mas crítica ao governo é exatamente o ponto de TODA história de super-herói. Citando Colin Smith:

Leitores de todas idades apreciam essas histórias de super-heróis por que estamos cientes, em alguma medida de que há um problema em nossas sociedades no que tange à distribuição de poder. Nós amamos assistir lidarem com aqueles que violam ou traem os valores liberais-democráticos , mas não por acreditarmos que um Estado fascista seria melhor que um Estado democrático. Na verdade, o super-herói é um personagem que serve para retornar, em forma narrativa, a democracia a seus ideais, onde todos na sociedade são protegidos do poder daqueles que não se importam de modo algum com justiça. Porque por mais que muitos de nós no Ocidente, e particularmente, nos Estados Unidos, estejamos imersos no popular terreno da democracia, almejamos viver em um mundo onde a realidade de nossa sociedade civil e o que ela propõe coincidam mais claramente. E o super-herói, invés de servir como um símbolo de como a audiência deveria voltar-se a favor de um governo autoritário, retira seu poder de nosso conhecimento de como a democracia frequentemente não funciona tão bem, enquanto desesperadamente deseja que ela funcionasse. Assim, o super-herói tem um significado profundamente anti-fascista. E o apelo do grupo de capa e roupas colantes é algo que é direcionado a grupos de todas as idades, e não apenas se direciona aos pré-adolescentes confusos, porque a maioria, se não quase a totalidade, da população deseja um Estado que seja na prática o que diz ser em princípio: justo e equitativo. Isso não é um anseio específico da juventude. E não tem nada a ver com fascismo, por que se preocupa com a liberdade efetiva do medo e da perseguição mais do que com uma concessão ao autoritarismo [fonte: SMITH, Colin. The Fascist Superman, The Tyrant Aquaman, That Lil’Boy Spider-Man Too: How Childish & Anti-Democratic Are Our Super-Heroes? Part 1 of 2 (2010) In: <http://toobusythinkingboutcomics.blogspot.com.br/2010/07/fascist-superman-tyrant-aquaman-that.html>. Acesso em 10/10/2013. Tradução – com algumas liberdades – minha].

Uma das marcas de TDKR, a presença constante dos balões de cantos arredondados apresentam a opinião da mídia sobre os fatos… a presença da mídia televisiva é obsidiante e não permite tempo para que respiremos ou formemos nossa própria opinião. Quase dá pra ouvir um plim-plim ao fundo.

É notável, aliás, que a crítica de Frank Miller seja pesadamente direcionada aos formadores de opinião de Gotham. A questão que está em jogo, no fim das contas é a mesma que será resgatada e aprofundada pela Marvel em Guerra Civil (e, mais uma vez… não lembro de ninguém sair acusando o Capitão de fascista por aí….): até que ponto devemos permitir a participação das instituições (privadas e públicas) como controladoras de nossas vidas?

A questão é, claro, cara a neoliberalistas, mas também à alguns setores da esquerda e aos anarquistas. Claro que uma leitura de esquerda atacaria a ingenuidade de Miller de acreditar na solução capitalista para o problema e apontaria que a substância mesma do que Batman combate (corrupção, criminalidade, caos social) têm origem nas desigualdades geradas pelo capitalismo.

Essa é uma crítica válida e nesse ponto Miller está significativamente atrás de Alan Moore Pat MillsGrant Morrison e muitos outros quadrinistas ativos na década de 1980.

Mas se a visão do Batman de Miller é seguramente baseada numa visão positiva da direita, ela está longe de ser uma visão que indique o babaquismo direitista no qual o autor viria a cair no futuro.

É isso por hoje e essa postagem continua na próxima semana, aproveitem e deixe seu comentário sobre o que achou dessa postagem logo abaixo.

The Stuff of Legend: Omnibus One

Eu tinha acabado de baixar o Comixology no celular e estava pegando tudo quanto era edição gratuita disponível. Foi assim, despretensiosamente, que tomei contato com o primeiro volume de The Stuff of Legend. E que surpresa fantástica! O quadrinho de Mike Raicht e Brian Smith, com arte de Charles Paul Wilson III, precisou de apenas o primeiro volume para me cativar.

De início achei que ia ser apenas uma história ao estilo Toy Story, com brinquedos fofinhos em um enredo infantil – e cheio de referências nerds, como tudo hoje em dia. Mas é justamente na última página (dupla) que a HQ mostra a que veio. A história tinha potencial. Muito potencial! Tanto que tempos mais tarde chegou a notícia: The Stuff of Legend teve seus direitos comprados pela Disney, e será adaptada pelos roteiristas de Jogos Mortais e Círculo de Fogo. Fiquem de olho!

O quadrinho conta uma história de amizade e de fidelidade. Mas também conta uma história de ciúmes, inveja, traição e abandono, elevada a um nível muito mais visceral que qualquer história da Pixar. Tudo começa em 1944, quando o Bicho Papão invade o quarto de um garoto do Brooklin e o leva para o Escuro (The Dark). Decididos a trazê-lo de volta, um grupo de alguns dos seus brinquedos mais fieis – e seu cachorrinho – resolvem entrar no armário e resgatar o garoto das garras do ser das trevas. E logo no primeiro volume um deles já morre de maneira tenebrosa.

Os conceitos por trás da história são o que trazem o verdadeiro charme à narrativa. Quando cruzam as portas do armário os membros do grupo deixam de ser apenas brinquedos e assumem as personas que representam. Maxwell, de ursinho de pelúcia, torna-se uma fera gigantesca e assassina, com enormes garras, presas e uma gravatinha colorida. Jesper, o jack-in-a-box (um dos melhores personagens da história) torna-se um bufão mascarado extremamente hábil e elegante, que combate armado com duas machadinhas. O mesmo acontece com Coronel, um soldadinho de chumbo; com Harmony, a bailarina; com Princess, uma boneca de pano indígena; Quackers, o pato e com Percy, o cofrinho em forma de porco.

O Bicho Papão atraiu para suas fileiras todos os brinquedos perdidos ou esquecidos atrás da prateleira, alimentando-os com ódio e ressentimento de um dia terem sido os favoritos – e mesmo assim terem sido deixados de lado. Este mesmo sentimento negativo também está espalhado no próprio grupo de resgate. Os brinquedos não gostam do cachorro, que acabou de chegar e já tomou o espaço do garoto como o favorito para as brincadeiras. Maxwell e o Coronel também carregam a pecha de sempre terem tido espaço especial no coração do menino, enquanto os outros ficavam na caixa. É brilhante o diálogo em que o Bicho Papão questiona Percy sobre qual seria seu destino final, após guardar tão fielmente as moedas da criança. “Ele me quebra”, conclui o porco, lacônico.

 

A cada página você encontra novos conceitos fantásticos que acrescentam muito à história: desde a manifestação dos jogos de tabuleiro, dos monstros feitos de massinha e até mesmo do que acontece aos velhos brinquedos da nossa primeira infância. Dá uma vontade danada de resgatar tudo das caixas e recuperar a diversão que os bonecos tanto trouxeram às nossas vidas.

Depois de ler no Comixology, corri para um torrent e baixei tudo o que havia sido publicado até então, mas a história absorvia tanto que na primeira oportunidade comprei o primeiro Omnibus – na época por menos de 20 dólares. O encadernado junta os dois primeiros arcos (The Dark Book e The Jungle) em uma bela edição de 260 páginas, em capa dura e formato diferenciado.

 

Sobre ‘Hawkeye’ de Fraction e Aja, uma das poucas verdadeiras herdeiras de ‘Watchmen’. Parte I

Watchmen. É chover no molhado exaltar mais uma vez as qualidades da novela gráfica de Moore e Gibbons. Era de se esperar, porém, que diante do enorme sucesso de Watchmen, um grande número de quadrinhos tentasse buscar a via trilhada pela dupla britânica.

Mas, ao invés disso, tivemos uma onda de HQs que buscavam emular temas adultos através de poses hiper-sexualizadas e violência excessiva, que marcaram os anos 90. Como se a lição trazida pelo revisionismo pudesse se resumir a “não se preocupe com a idade recomendada para leitura”.

No início de cada edição de ‘hawkeye’, os leitores nos avisam de cara que essa é a revista que trata de quando o o Gavião Arqueiro não está sendo um vingador. É um convite a observar o lado pouco glamouroso da vida de um ‘super-herói’ de menor escalão.

Pois, e talvez isso possa soar estranho para quem insiste em ser cego e surdo como muitos dos autores das duas grandes, uma HQ cujo mote é a questão “Quem vigia os vigilantes?” obviamente não traz como consequência um tempo em que os vigilantes sejam compreensivamente mais violentos, mais, ao contrário, levanta exatamente dúvidas sobre a possibilidade de haver algum super-heroísmo. Não se trata de esquecer a recomendação ética daquela longínqua Amazing Fantasy #15, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, mas, ao contrário, de radicalizar imensamente esse ideal.

Pois, numa temática mais adulta, o super-poder reflete o poder mais cotidiano com o qual todos nós lidamos e ter super-poderes nos insere num jogo imenso de responsabilidades (desde as mais banais até as maiores, político-ideológicas…). Como no nosso dia a dia os heróis fazem uma série de escolhas em relação ao que defender e o que combater – e como defender e como combater. E no mundo pós-revisionista, esse ‘como’ é tão importante quanto o ‘que’ o pretenso herói combate. Não adianta mais apenas ‘combater o crime’, importa debater o que é crime, porque combatê-lo…e porque o ‘herói’ se omite diante de questões importantes.

O Capitão América do universo Ultimate é um exemplo da extrema direita americana que acha que os EUA têm o direito de agir como polícia do mundo.

Cena de Authority, de Warren Ellis et al.

Isso, claro, não quer dizer que a violência seja ‘proibida’ como tema de uma HQ pós-revisionista. Mas ela vem agora com a exigência de não ser mais ‘ingênua’ e ser acompanhada de reflexão ideológica. Pensemos em alguns marcos dos últimos 20 anos: Authority (Warren Ellis et al.), Os Supremos (Mark Millar et al.), Os Invisíveis (Grant Morrison et al.)… em  todos eles a violência é analisada como uma forma de dominação. Aliás, mais importante que isso: o discurso que estabelece certos valores (propriedade privada, direito a intervenção em território estrangeiro) é por ele mesmo uma violência. E se omitir diante dessa violência já é um indicador de questionamento dos limites do heroísmo.

O herói dos tempos pós-revisionismo, portanto, têm que caminhar num abismo estreito entre Cila e Caríbdis: por um lado há o risco da imposição fascista de sua visão de mundo através de seus poderes; por outro, o risco, tão grande quanto, de colocarem seus poderes a serviço de uma ideologia dominante cruel e excludente e simplesmente se ocuparem de caçar os bandidos, sem nenhuma preocupação de lidar com o plano macro que é também responsável pela criação do crime.

Gavião Arqueiro, na frente do apartamento em que mora – e protege e ‘administra’.

Que Fraction e Aja tenham escolhido resgatar e radicalizar o modesto caminho antigamente traçado por certo ‘amigão da vizinhança’ e reduzir a esfera de ação de seu personagem quase que exclusivamente a um pequeno condomínio pelo qual o Gavião Arqueiro se sente responsável mostra uma escolha interessante da dupla diante das opções acima citadas. Na sua revista solo, o Gavião Arqueiro é representado como um cara (quase) normal, de inteligência mediana e com certa tendência a tomar decisões não muito acertadas devido a sua completa inaptidão social.

De antemão sabemos que nosso herói não é lá um exemplo a ser seguido. Por outro lado, simpatizamos com suas tentativas de fazer a coisa certa, apesar dos repetidos fracassos, mesmo diante de objetivos aparentemente tão modestos diante do que estamos acostumados a ver nas HQs de super-gente.

Exemplo da incapacidade típica do Gavião Arqueiro de lidar com situações sociais…

A premissa de voltar a trazer o ‘herói’ para uma dimensão mais cotidiana é nada mais que um retorno às origens da Marvel, nos tempos em que certo Peter Parker ainda tinha que se virar para pagar as contas e não perder as provas na faculdade. Informada pela crítica mais pesado dos limites do heroísmo que marcam a indústria após os anos 80, porém, esse retorno a um terreno mais modesto leva a refletir sobre nossas pequenas ações e omissões diárias nas lutas que escolhamos ou não abraçar.

Mas não há premissa boa que sobreviva sem uma boa execução… e é sobre a primorosa execução de Hawkeye que nos deteremos na próxima parte desta série. Até lá.

[continua]

Quais os Personagens mais Poderosos das HQS

Salve galera.

Existem vários tipos de poderes. Alguns são legais, como subir em paredes ou soltar raios de calor pelos olhos. Também existem os poderes inúteis, como a capacidade de entender qualquer idioma ou linguagem.

Mas existem alguns personagens que estão em uma categoria à parte. Eles podem ser considerados verdadeiros deuses, porque seus poderes são quase infinitos.

Personagens mais Poderosos

Realidade, pensamento, força, presença, tempo. Nada foge ao controle destes seres.

Então vamos ao Top 10 personagens mais poderosos:

 

10 / Tribunal Vivo

 

A única função do Tribunal Vivo é contornar os desequilíbrios cósmicos do Universo Marvel. E para isso, ele é capaz de mudar a realidade com seu pensamento. É considerado o segundo personagem mais poderoso da Marvel, sendo superado apenas por One-Above-All

 

9 / One-Above-All

 

É a representação do Deus Judaico-Cristão no Universo Marvel. Foi ele quem criou todo o Universo 616 através de um Big Bang, além de viver em um lugar chamado Paraíso, onde o Quarteto Fantástico foi para resgatar a alma do Coisa. Aparentemente One-Above-All é o membro mais poderoso da raça dos Celestiais.

 

8 / Antimonitor

 

Ele apenas pode controlar e manipular a matéria e viajar entre os multiversos, o que o torna capaz de destruir multiversos inteiros. Para alguém que nasceu em um universo de anti-matéria, até que está bom. O Antimonitor foi criado durante a Crise nas Infinitas Terras e ele quem resolve a bagunça em que estava o Universo DC da maneira mais simples: destruindo multiversos. E ele também é considerado um dos seres mais inteligentes de todo o Universo DC.

 

7 / Tetsuo

 

Você até pode dizer que Akira era mais poderoso que Tetsuo e eu irei concordar sem problemas, mas Tetsuo perdeu o controle do seu poder e quase destruiu o mundo. E para evitar o fim da Terra, ele criou um mini Big Bang e gerou um novo universo. Só isso.

 

6 / Mefisto

 

Já que a Marvel tem uma representação de Deus, nada mais justo do que ter uma versão do Coisa Ruim. Mefisto já mostrou que além de ser um tremendo e ardiloso sacana, é capaz de manipular as pessoas e enfrentar de peito aberto outras entidades, como Thanos.

 

5 / Galactus

 

O Devorador de Mundos é capaz de controlar forças cósmicas infinitas. Ele está entre as cinco entidades mais poderosas do Universo Marvel 616. Certa vez a Morte se referiu a Galactus como “marido, pai, irmão e filho”. E como ele está sempre com fome, ele também é capaz de dar uma pequena fração de seu poder aos seus arautos para irem pegar um McPlaneta para ele. Com fritas e Coca grande.

 

4 / Beyonder

 

Apesar de ser um dos seres mais poderosos da Marvel, capaz de manipular a matéria, o tempo e o espaço, eu sempre achei que na verdade ele precisava era de um terapeuta. Afinal Beyonder resolve criar um planeta e joga um monte de heróis e vilões apenas para entender o bem e o mal.

 

3 / Darkseid

 

Além do kit básico nível 2 de poderes (super força, super inteligência, super resistência e super velocidade) o Senhor de Apokolips também consegue emitir o Raio Ômega dos olhos, que é capaz de desintegrar seus adversários, ressuscitar um morto, teleportar ou alterar a matéria. Um verdadeiro olhar fatal!

 

2 / Dr. Manhattan

 

Ele é com certeza o homem mais poderoso, porque todos os outros são entidades cósmicas ou aliens. Capaz de controlar a matéria a nível subatômico, inclusive a sua própria, o que permite ele estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, Dr. Manhattan também tem uma quase completa clarividência. Enfim, ele é capaz de quase tudo.

 

1 / Thanos

 

Para atender os desejos da sua amada Morte, ele se tornou um dos seres mais poderosos do Universo Marvel, ao juntar as Gemas do Infinito. Nada fugia ao controle do Titã. A não ser sua amada, que acabou recusando seu presente: metade das almas do Universo. O negócio é afogar as magoas no bar.

Resenha / Injustiça: Deuses entre nós

Salve galera.

Baseado no jogo Injustice: God Among Us a série de HQs é um dos melhores lançamentos da DC nos últimos anos. Principalmente depois do reboot dos Novos 52. A HQ se passa antes dos fatos mostrados no jogo, que levaram o mundo a uma guerra entre heróis, tendo o Superman de um lado e Batman do outro.

 Injustiça: Deuses entre nós

A história mostra um mundo onde o Superman enlouquece após o Coringa o enganar e faze-lo matar Lois Lane, que estava grávida (não precisa se preocupar, porque isto não é spoiler, afinal tudo acontece no primeiro capitulo da série) e detonar uma bomba nuclear em Metropólis.

Superman enlouquece e mata o Coringa a sangue frio e começa uma guerra contra toda a injustiça da Terra. O problema é que ele começa a desafiar governos e outros heróis, como o Aquaman. Quem não respeita sua nova ordem mundial, é considerado um traidor e taxado de terrorista.

E um dos poucos heróis que percebe a loucura do plano do Superman é o Batman, que decide deter o Homem de Aço. Infelizmente o Superman decide que a melhor maneira de parar alguns de seus adversários é acabando com a vida deles. E adversários podem ser vilões ou heróis que estão alinhados com Batman. As baixas do lado do Homem Morcego são enormes. Seus aliados mais poderosos são mortos um por um pelo Superman.

A história mostra um Superman obcecado, somente interessado em sua missão de proteger a humanidade dela mesmo. E essa sua visão começa a afetar outros heróis, que começam a compartilhar do mesmo ponto de vista que ele, principalmente o Lanterna Verde (Hal Jordan) e a Mulher Maravilha. E os outros, como o Flash e o Capitão Marvel acabam seguindo suas ordens, mesmo não tendo certeza de que ele está certo. A loucura do Superman chega a um ponto que ele decide torturar o Batman para obter uma informação.

Injustiça: Deuses Entre Nós foi lançada digitalmente nos Estados Unidos e depois impressa em um único volume distribuído pelas comics shops.

No Brasil, a Panini tinha lançado do volume 1 em março do ano passado e lançou o volume dois somente em dezembro, contendo as edições 7 a 12 de Injustice: God Among Us e a edição anual, que foi lançada entre 2013 e 204 nos Estados Unidos.  Por ser uma revista digital, seus capítulos são curtos e a história não tem muita enrolação. Ela vai sempre direto ao ponto.

A história é Tom Taylor, responsável pelas histórias do universo Star Wars publicadas pela Dark Horse. A arte ficou por conta de Tom Derenick, Mike S. Miller e Bruno Redondo.

Até o momento, Injustiça é uma história fantástica. Espero que ela siga assim e que a Panini não demore mais tanto para publicar os encadernados e nem desista de colocar nas bancas as próximas edições.

Resenha: Seu Turno – A Aventura Começa

a HQ Seu Turno – A Aventura Começa (Jambô, 2012, 96 pgs). A proposta é a mesma: você incorpora o papel do protagonista da história, e deve tomar decisões em cada momento chave da trama. A história não deve ser lida linearmente, porque cada decisão leva a uma página diferente – e para o fracasso ou sucesso da missão.

Na trama, o jovem Tercy Cross é um guerreiro aventureiro que busca adquirir experiência para entrar no exército a procura de seu pai, um oficial de carreira a quem não encontra há tempos (Isso é apenas o background, parece em uma ou duas páginas e nem mesmo o nome Tercy é mencionado novamente). Em mais uma de suas missões como aventureiro, Tercy é contratado pelo anão mercador para investigar o sequestro de sua filha. Logo ele descobre que outras moças também foram sequestradas, e a missão fica mais perigosa.

Começa a brincadeira. “Se você quer ir atrás da anã, vá para a página X. Se quer buscar a milícia, vá para a página Y”. A numeração no alto da página, e em uma fonte grande e destacada faz a HQ funcionar bem em sua proposta de aventura-solo. No entanto, até pelo número de páginas, a história é bem genérica e pouco envolvente. Há pistas sobre um cenário maior (raças diferentes, deuses, etc), mas tudo é muito superficial. Sem falar no final, que dá uma ideia de continuidade, para uma sequência que nunca vai existir.

Além da história genérica, o traço também é bastante amador e inconstante. Tem algumas cenas bacanas, mas logo depois a finalização peca, o desenho sai torto ou tremido, o sombreamento digital fica muito artificial… Eu gostava mais dos esboços do artista do que das páginas finalizadas. As próprias cores também por vezes não são favorecidas pelo acabamento gráfico, a começar pela logo que fica apagada na capa.

Paguei R$ 19,90 nesta edição, e apesar de ter sido relativamente barato eu estaria mais satisfeito se fosse apenas uma webcomic gratuita como o próprio prólogo, disponível aqui. De qualquer forma, se ficou curioso com a proposta, é possível comprar com frete grátis no site da Jambô por R$ 15. Se tem ainda mais curiosidade, veja o book trailer do quadrinho aqui.

Clube da Luta tem continuação em quadrinhos anunciada na SDCC

A continuação do livro, que deu origem a o filme homônimo, foi confirmada pelo próprio Chuck Palahniuk, autor da obra, durante um painel da Comic Con deste ano. Tal continuação virá na forma de uma graphic novel que deve ser lançada só em 2015 e contará a história no ponto de vista de Tyler, 10 anos depois ele ainda vive dentro de Jack e em algum ponto irá sequestrar seu filho. Rumores dizem que a graphic novel está sendo produzida em parceria com a Marvel porém, segundo palavras do autor, ainda não há editoras envolvidas no processo. Seguem as palavras de Palhniuk:

Clube da Luta

Sobre a graphic novel, é verdade. Chelsea Cain tem me apresentado para artistas e criadores da Marvel, DC e Dark Horse, e eles estão me levando para esse processo. Ele provavelmente será uma série de livros que retoma a história 10 anos depois do aparente fim de Tyler Durden. Nesse momento, Tyler está contando a história, escondido dentro de Jack, e pronto para sair e retornar.

Jack está alheio. Marla está entediada. O casamento deles está preso na entediante fase de meia idade no subúrbio. É apenas quando o filho deles desaparece, raptado por Tyler, que Jack é puxado novamente par ao mundo da “mutilação física”. A história será, claro, sombria e obscura. Devido a obrigações contratuais, não posso falar mais. Ano que vem é “Beautiful You” que ganha sequência. Mas como o Clube da Luta será seriada em graphic novel, meu editor provavelmente permitirá que o lançamento seja antes de 2015.

Sinta-se livre para divulgar qualquer ou todas essas informações. Nós ainda não começamos a cortejar uma editora específica, não até que eu feche a história completa.

Fábulas: A Revolução dos Bichos Dica de Leitura

A Revolução dos Bichos começa com Rosa Vermelha e Branca de Neve saindo da Cidade das Fábulas para visitar A Fazenda e ver se está tudo em ordem por lá, além disso o plano por trás da viagem é Branca de Neve “deixar” sua irmã ajudar no trabalho da fazenda como forma de punição pelo fuzuê causado com sua morte forjada (Fábulas vol. 1 – Lendas no Exílio).

A Revolução dos Bichos

Enquanto João cumpre sua pena fazendo trabalho de faxineiro na cidade, a dupla de irmãs pega seu rumo para o interior, acompanhadas de Cícero, um dos Três Porquinhos.

Tão logo se aproximam da fazenda, Branca nota que alguma coisa está diferente. Sinais de coisas mundanas são encontrados nas redondezas da fazenda, algo que deveria ser impossível devido as magias ali postas. Chegando ao vilarejo da fazenda em si, Branca e Rosa encontram o lugar deserto, quase abandonado, vindo a descobrir que vários dos “animais” dali estavam reunidos no celeiro.

Quem conduzia a reunião eram os dois Porquinhos remanescentes e, segundo eles, o intuito de tudo aquilo era planejar uma retomada do mundo das Fábulas das mãos do Adversário.

No desenrolar da história acabamos descobrindo que os planos eram muito maiores e complexos que isso. As fábulas da fazenda sentiam-se cada vez mais animais, conforme viviam confinados na fazenda, proibidos de contato com o mundo dos mundanos. Não demorou para que grande parte dos seres ali se sentissem compelidos a confrontar as fábulas “humanas”, na cidade grande, exigindo sua liberdade de direito. Porém as coisas tomaram outras proporções…

A trama de A Revolução dos Bichos se desenrola com muito mais rapidez do que em Lendas no Exílio.

Não é preciso perder tempo introduzindo personagens nem explicando nada, o leitor pode ir direto ao que é importante na história e partir para as vias de fato, então é isso que o roteirista nos dá.

Entretanto, como contrapeso da rapidez/fluidez da história, temos uma trama mais rasa, sem uma grande investigação ou grande suspense. Os planos dos protagonistas são expostos logo de inicio, deixando para os mocinhos (e você, leitor) somente ir atrás da solução para sair dali.

Um ponto extremamente positivo do trabalho de Willingham é preocupar-se com a divisão de cenas entre as Fábulas. Por mais “principais” ou carismáticos que alguns personagens da série sejam, o roteiro é pensado para que cada um dos personagens, recorrente ou não, tenha espaço.

Por exemplo: no volume 1 da série Bigby Wolf, o Lobo Mau, e João protagonizam grande parte da revista. Nesta, eles são “deixados de lado”, apresentando personagens desconhecidos e relevantes para a trama, aumentando a gama de Fábulas sem excluir os outros que já tiveram seus 15 minutos de fama.

O material, assim como o primeiro volume, é de ótima qualidade. Muito bem editado, boa impressão e bom papel. Apesar de não ser um encadernado grande, proporciona uma pega boa para leitura e se comporta bem na prateleira, quando guardado. Vale o quanto custa e está na lista de leitura obrigatória.

Daytripper – Dica de Leitura

Como seria o seu dia se este fosse o seu último dia de vida?

É uma pergunta, ao mesmo tempo, complexa, simples e totalmente cliché mas que retrata – ou melhor – resume muito bem a “premissa” de Daytripper.

Daytripper

Daytripper é uma obra nascida das mãos e mentes dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, quadrinistas a frente do blog 10 pãezinhos e responsáveis por obras como Umbrella Academy e Casanova. Nela acompanhamos a(s) vida(s) de Brás de Oliva Domingos, um não-romancista fracassado e escritor de obituários.

Sua história começa exatamente no ponto em que sua vida termina, o que pode parecer meio sem sentido, quiça confuso mas que norteia muito bem toda a narração.

No quadrinho somos apresentados a diversas épocas da vida de Brás, com várias versões diferentes dele mesmo, desde um pequeno garotinho até um homem de idade avança e, não perdendo o gancho da pergunta que abriu esse post, vemos como foram os últimos momentos e as últimas decisões da vida de Brás em cada uma dessas versões, dessas épocas.

Por vezes essas passagens mostram-se grande viagens lisérgicas enquanto outras apresentam-se como reflexões realistas e cruas demais. Aproveitando-se de diversas ferramentas de narrativa e um pouquinho da marotagem teórica do paradoxo do gato de Schrödinger, vemos como Brás conseguiu vislumbrar várias versões, vertentes e desenrolamentos de sua vida a partir de cada decisão que ele possa ou não ter tomado.

São histórias que não se ligam, não partem – em momento algum – de um lugar comum e, definitivamente, não acabam no mesmo lugar somente da mesma maneira porém, ainda assim, mostram como aquele velho ditado de que “o destino é imutável e nenhuma decisão sua pode mudá-lo” pode ser bem verdade, até quando o seu destino não é o que realmente lhe parece.

Daytripper nasceu um clássico e sair de uma publicação mensal na Vertigo americana, assinada por dois estrangeiros, e tornar-se um encadernado premiado pelo Eisner Award (o Oscar dos quadrinhos, sic) é a pura prova disso. É um quadrinho complexamente simples, envolvente, dramático e belo no sentido mais puro da palavra.

E, nas palavras de Gerard Way – parceiro dos irmãos em Umbrella Academy – e Becky Cloonan:

Eles eram dois garotos viajando pelo mundo com o portfólio debaixo do braço e agora estão finalmente realizando a obra de suas vidas. O que mais espanta é que, para eles, isto é só o começo.

Gerard Way

Moon e Bá desenvolveram uma história assustadoramente humana, enredando os momentos que definem quem somos para tecer uma trama sobre vida e morte. Daytripper é uma experiência que vai seguir te acompanhando muito depois de terminada a leitura.

Becky Cloonan

Daytripper coleciona prêmios e fãs, além de ser – de longe – a HQ brasileira de maior sucesso no exterior, atualmente.

Para comprar

Edição capa dura, na Saraiva
Edições de cartonada ou capa dura (R$24,90 / R$62), na Comix

Novos X-Men: Ecos do Amanhã Dica de Leitura

Olá amigos que nos visitam, a postagem de hoje é sobre o encadernado enviado pela nossa parceira Comix,  Novos X-Men: Ecos do Amanhã que reúne as edições 151 à 154 da revista New X-Men.

A história dessa HQ é ambientada 150 anos no futuro, onde os X-Men já não são como foram um dia,  e o sonho do Professor Xavier passa a ser a sobrevivência dos mutantes que ainda estão vivos, uma vez que eles estão sendo caçados pelo Fera e seus Noturnos, que neste futuro tem como objetivo principal encontrar o Ovo da Fenix, que está sob proteção de Tom Skylark e seu amigo chamado Errante, um Sentinela 1ª Geração, que criou e cuidou dele desde a infância, vale lembrar que Fera foi contaminado pelo código genético Sublime após utilizar-se da droga chamada Porrada.

O roteirista Grant Morrison conseguiu fazer uma densa e rica narrativa com a quantidade de informação inserida em seu roteiro, nesse mundo sem humanos, os X-Men do futuro são liderados por Cassandra Nova Xavier, mantenedora de um santuário que foi construído em uma cratera onde ficava o Instituto Charles Xavier, além deles o roteirista inseriu também nesse futuro várias espécies descendentes dos humanos.

O disco voador usado por Fantomex chamado E.V.A  na realidade é uma sentinela geração N que desperta a atenção do nosso coleguinha Tom Skylark, tanto tecnologicamente como fisicamente falando, afinal E.V.A. tem um baita corpão mesmo para uma sentinela, e por incrível que pareça desperta o ciúme do sentinela Errante (percebemos isso quando ele sofre uma avaria muito grande e com isso fica  fora de combate por algum tempo no ápice da história).

Outra coisa interessante são os Noturnos utilizados pelo Fera, além do DNA do mutante Kurt Wagner, esses seres utilizam sequências genéticas  combinadas de outros mutantes pois o Fera possui todos os genes para usar em seus experimentos, e isso concede a eles além do teletransporte um poder adicional, como por exemplo os raios ópticos do Ciclope, o fator de cura de Wolverine ou qualquer outro poder mutante que ele tenha no seu banco de dados genético mutante.

Para piorar ainda mais, descobrimos a existência de um personagem chamado Appolyon um dos últimos seres chamados O-Men (humanos com implantes mutantes que tentaram com isso se tornar a terceira espécie) e auto-intitulado “Arauto do Poderoso Fera”, que aparece sempre implorando por melhorias com partes da Fênix em seu corpo, fazendo assim que suas horríveis dores cessem e assim possa ajudar seu mentor em seus planos malignos, mas é enganado pois o Fera desse futuro procura apenas saciar a sua vontade de destruir toda a raça mutante com a ajuda do poder da Fênix.

Em Novos X-Men: Ecos do Amanhã  temos personagens conhecidos, como as irmãs Stepford que participam desta história com a alcunha de Arma XIV, capazes de ler mentes, além de não envelhecer como os outros mutantes por fazerem parte da Arma Extra e o nosso baixinho carrancudo Wolverine, que aparenta estar mais jovem e mais tranquilo nesse futuro, também da o ar da graça, mas o destino não lhe reserva um bom final.

A HQ se encerra de forma surpreendente e promete explodir cabeças mostrando que um dos personagens principais da trama, responsável pela confusão está intimamente ligada com outras entidades  que tem a capacidade  de realizar mudanças tanto no passado como no futuro.

Grant Morrison conseguiu com essas quatro revistas mostrá-los de uma outra forma, ajudando a firmar os elementos que fizeram com que esse grupo ganhassem mais notoriedade entre os fãs e este enredo futurista confirma que Morrison acertou na pegada, mostrando que consegue agradar novos e antigos leitores.

A arte de Mark Silvestre é um show a parte. O estilo anos 90 que o consagrou como artista gráfico esta muito evidente no trabalho e não deixa a peteca cair, e isso foi no final das contas, o que mais me agradou no trabalho dele, pois me fez lembrar daquela época em que ele ficou a frente das história do Wolverine.

O trabalho dessa dupla mostrou que  Novo X-Men: Ecos do Amanhã é daquelas revistas que pode agradar alguns pelo roteiro, outros pela arte e colorização, para para mim valeu a pena ver que bons enredos ainda podem ser produzidos para os filhos do átomo com roteiro e ilustração trabalhando juntos.

Abraço pessoal é até a próxima.