Fabulas Lendas no Exílio – Dica de Leitura

“Um dia, fomos mil reinos separados, espalhados por cem mundos mágicos. Éramos reis e sapateiros. Magos e carpinteiros. Tínhamos nossos pecadores, nossos santos e nossos alpinistas sociais desavergonhados. E do mais grandioso lorde à menina camponesa mais simples, nós éramos, no geral, estranhos uns aos outros. Foi preciso uma invasão para nos unir.”

Lendas no Exílio - Dica de Leitura

“Uma a uma, nossas terras espalhadas caíram sob o domínio do Adversário, engolidas pelo seu império sempre crescente. Se tivéssemos nos unido mais cedo, poderíamos ter conseguido detê-lo. (…) Muitos de nós não tiveram a chance de fugir. (…) Vivemos como fora da lei e fantasmas. Até conseguirmos vir para cá, para este monótono lugar mundano: o único mundo pelo qual o Adversário parecia não se interessar.”

Esse trecho, retirado (não inteiro) de uma narrativa direto da revista, resume bem o que aconteceu e qual o pano de fundo de Fábulas. Todos os seres mágicos que conhecemos, e vários que não conhecemos, viviam em seus mundos até que um mal crescente – conhecido como o Adversário – tomou mundo por mundo, fazendo com que as personagens lendárias das fábulas se transformassem em refugiados, abandonando suas terras e indo para o único lugar aparentemente desinteressante: nosso mundo.

Aqui, as fábulas vivem entre nós. Aqueles que possuem um pouco de poder ou dinheiro conseguem encantos das bruxas para disfarçarem sua verdadeira aparência e “se camuflarem” entre os humanos. Os menos afortunados ou, por definição, imutáveis, vivem reclusos em matas, esgotos ou em fazendas construídas para os abrigarem.

No primeiro arco de Fábulas conhecemos algumas lendas bem conhecidas como, por exemplo, O Príncipe Encantado, João (de todas as histórias e contos de fadas que possuem um João), Branca de Neve e Lobo Mau. O Príncipe é um charlatão de primeira: vive sem dinheiro e batendo de porta em porta atrás de um rabo de saia do qual possa tirar algum proveito e tudo isso por culpa da Branca de Neve, sua ex-esposa, que o chutou pra fora de casa depois de flagrar o maridão dando uns amassos na sua irmã caçula, a Rosa Vermelha.

Lobo Mau tornou-se o detetive da “cidade das fábulas”, que nada mais é do que um bairro administrado como se fosse uma cidade. Suas habilidades de caça como lobo vieram bem a calhar como investigador e é com ele que a história começa, quando João (atual namorado da Rosa Vermelha), vem ao seu encontro dizendo que algo horrível aconteceu. Rosa sumiu e seu apartamento está coberto de sangue. E é aí que desanda a maionese na cidade das fábulas.

No desenrolar das histórias, várias outras personagens aparecem e cada uma delas, magistralmente adaptada para o real, seja por suas fobias ou seus vícios, ou até mesmo apresentando o reflexo exato de sua personalidade mágica no mundo real, como é o caso do Pinóquio (que é sensacional!).

A revista inteira é recheada de grandes diálogos e conflitos, reviravoltas e intrigas, investigações e cenários dignos de Agatha Christie porém, tudo dentro do fantasioso mundo das fábulas (e dos quadrinhos), sem nunca deixar o humor de lado. Que é o mais importante.

Fábulas, publicada ininterruptamente desde 2002, é um dos clássicos dos quadrinhos lá fora e vem ganhando mercado cada vez mais rápido aqui no Brasil. Em seu formato original já alcançou 18 encadernados (12 deles já lançados aqui no Brasil*), que somam 122 revistas mensais, além de 9 spin-offs e ganhou, até o momento, 14 prêmios Eisner, o Oscar dos quadrinhos. Segundo a IGN “a melhor série de quadrinhos em produção atualmente”.

Confesso que é difícil discordar da opinião da IGN. Leitura mais do que obrigatória.

Y The Last Man – Dica de Leitura

Para começar eu pergunto a vocês: O que vocês fariam se fossem o último HOMEM do planeta terra?

Nada que você pensou pode se comparar ao que o jovem Yorick escolheu, caso vocês ainda não tenham sacado estou falando de “Y The Last Man” uma das melhores HQs que eu já li.

O time de Y não poderia ser melhor: escrita por Brian K. Vaughan, que foi um dos responsáveis pelos roteiros de Lost (ok, o final não foi legal) e Ex Machina e com artes de Pia Guerra, velho conhecido para jogadores de RPG, responsável por desenhos de alguns livros como Vampiro — A Máscara, Changeling e Lobisomem — O Apocalipse, além de Marzá Jr. que desenhou as capas da obra.

A obra trás a narrativa de um mundo aonde uma praga de origem desconhecida matou a maioria das criaturas portadoras do cromossomo Y, que define o gênero masculino, sobrando apenas Yorick Brown e seu macaco Ampersand, e partir daí começa a saga para entender o que aconteceu com os homens bem como garantir, de certa forma, o reinicio da espécie humana, afinal sem homem como se faz, ou não faz?

O que me prende nessa HQ é a forma como o autor escreve como a sociedade sobreviveria a esta catástrofe, pois não querendo ser machista, sabemos que no mundo atual a maior parte dos governos estão nas mãos dos homens, assim como também outros cargos e empregos são dominado pelos homens, por exemplo: 99% dos mecânicos, eletricistas, pedreiros, assim como 100% dos sacerdotes católicos, muçulmanos, rabinos judeus ortodoxos. E todos estão mortos.

Como seria uma reestruturação mundial e as sequelas desse “generocídio”?

Brincando com esta ideia, Vaughan faz um ótimo trabalho de como imaginar o mundo mergulhado no caos distópico, mesmo que ainda lógico, partindo somente de pressupostos da nossa realidade atual, talvez sendo a parte mais difícil de uma HQ como esta. Possibilidades diversas surgem e são inseridas na historia, como por exemplo grupos radicais de feministas que se auto intitulam Amazonas, que assumem uma postura frente ao ocorrido de acreditar que a morte de todos os homens é uma benção, ou seja, um bando de sapatas revoltadas.

Intrigas políticas aparecem na HQ quando se descobre que ainda existe um homem vivo, logo a nação que o tiver, poderá se sobressair as outras, garantindo a supremacia. Os personagens coadjuvantes são intrigantes e importantes, pois no desenvolver da historia são eles que fazem o pano de fundo político, religioso e amoroso sendo inseridos e retirados da historia com uma leveza impressionante.

O personagem Yorick é meio babaca no inicio da HQs, tomando atitudes idiotas frente a importância de ser o último homem do planeta, fora isso seus ideais nobres de conseguir chegar até a Austrália para encontrar com sua namorada na esperança que ela esteja bem e assim finalmente repovoar o mundo a moda antiga são bem louváveis.

Este personagem nobre e romanceado frente ao caos instalado e a mulheres completamente loucas em hipótese alguma tende a parecer como uma forma de implicação aonde os homens são melhores do que as mulheres. Aliás estas diferenças sexuais são muito bem abordadas ao longo de toda historia.

A ideia política me chama muito a atenção como, por exemplo, quando o governo norte-americano fica sabendo sobre a existência do último homem e coloca Yorick sob vigilância, assim surge a Agente Especial 355 que o protege e o acompanha durante toda a historia, fora que outra pessoa entra para o grupo por ser uma cientista que estava próxima de conseguir o clone humano. Com essa premissa, a série deslancha percorrendo o que restou da civilização, vendo as consequências da tragédia e cada um com sua busca pessoal.

Apesar de eu ter passado uma ideia de uma HQ politizada e bastante pesada por conta do próprio tema, a série tem muito bom humor graças ao protagonista  que se comporta muitas vezes de forma infantil e até mesmo pelas situações de adaptação a esta nova realidade.

Finalizando, quem ficou interessado pela revista poderá encontrar nas bancas através do selo Vertigo da Panini. O encadernado em questão esta muito bem produzido, a serie nos Estados Unidos saiu mensalmente em 60 edições, já no Brasil esta saindo em um compilado com 5 edições por encadernação.

Outra coisa que surgiu recentemente foi um fan filme muito bem produzido de 20 e poucos minutos, vale a pena conferir abaixo:

No mais já decidiu o que você faria se fosse o ultimo homem da terra? So não pode ser asanoturniano se não ferrava tudo.

Dica de Leitura – Quadrinhos A2

Quadrinhos A2 é uma iniciativa de Paulo Crumbim e Cristina Eiko, em retratar de forma descontraída e “fantasiosa” o dia a dia da vida do casal. O projeto começou como algumas tirinhas na web, logo transformando-se em webcomics até, por fim, ser adaptado para o formato encadernado e distribuido de forma independente.

O principal destaque do trabalho do casal é o “roteiro” e em como ele é apresentado. Quadrinhos biográficos tem uma dificuldade muito maior de agradar a grande massa por ser algo extremamente pessoal e, facilmente, conversar com um público menor mas isso não acontece com o Quadrinhos A2.

Situações corriqueiras como sonhos com extraterrestres ou uma ida até a academia, viram motivo de história – na maioria das vezes, contada em duas versões ou paralelamente, uma de cada um dos autores – e mostra como ser estranho e normal é, pelo menos aqui, original e divertido.

A famosa técnica cinematográfica de conversar com o telespectador é empregada aqui também, com as devidas proporções, e torna tudo mais pessoal do que já é. A imersão no mundo dos autores é tão automática e rápida que, uma simples tira contando do dia a dia do fechando da edição encadernada, sem ter uma história para terminar a edição, faz um gancho e gera uma necessidade de ler mais muito maior do que hiatos de grandes sagas dos quadrinhos.

O traço dos autores é nitidamente inspirado no estilo de desenho oriental, apesar de extremamente minimalista, o que dá um toque bem peculiar e original, transparecendo algo inédito e não simplesmente mais um formato de quadrinho baseado no estilo japonês.

Quadrinhos A2 é uma obra simples porém muito bem feita e fácil de se gostar, divertida, carismática e original. No site é possível encontrar as tironas inéditas na publicação impressa além do link para a compra do encadernado, que pode vir com dedicatória, como o meu, além de o casal sempre personalizar as embalagens em que o encadernado é enviado, com diversos personagens e temas diferentes o que torna a leitura e a compra muito mais pessoal.

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Artistas recriam primeira edição de Rom

Desde que sofreu um acidente andando de patins em 1992, Bill Mantlo tem dependido da bondade de estranhos. Com sérios danos cerebrais, ele mal consegue realizar suas funções básicas e tem sido ajudado pelo meio, que até já criou uma conta com o nome do autor em que todos podem depositar e ajuda-lo em sua sobrevida.

Artistas recriam primeira edição de Rom

De tempos em tempos algum grupo se reúne e faz algum projeto baseado em alguma de suas criações mais importantes. O alvo da vez é o Rom, o cavaleiro espacial, que pode não ter sido criação sua, mas teve seu roteiro em todas as 75 edições da revista. Um grupo de 20 artistas está recriando a primeira edição do título. O projeto batizado de ROM Remix é um trabalho voluntário cujos lucros serão voltados para o autor, cuja manutenção da sobrevida requer uma quantidade alta de verba externa, afinal, ele não pode colaborar com o próprio sustento.

O autor é o criador de Rocket Racoon, que ganhará o mundo este ano como um membro dos Guardiões da Galáxia, filme do qual ele supostamente não recebeu nenhum reembolso pelo uso de uma de suas criações.

2 por 1! / Homens-Aranha e um mistério…

Enfim uma das coisas mais improváveis, para não dizer impossíveis e indesejáveis, do universo aracnídeo aconteceu: Peter Parker e Miles Morales se encontraram!

É verdade, amiguinhos…

2 Homens-Aranha juntos

Um dos grandes argumentos que fazia os fãs do cabeça de teia não imaginarem tal encontro baseava-se na dúvida de como unir dois personagens de universos distintos. A única saída aparente seria tocar o puteiro na linha espaço-temporal das duas linhas editoriais, causar uma catastrofe gigante e criar um buraco negro ou vórtice temporal que servisse de porta entre os dois universos e por aí vai, causando o maior fuzuê e etc.

SÓ QUE NÃO! A resposta certa nunca é a mais óbvia mas, quase sempre, é a mais simples. Porque não usar um dos inimigos mais corriqueiros do herói, adorado por muitos e odiados por multidões? Sim! Mistério!

2 Homens-Aranha

Aquele que, por muito tempo – e na mão de muitos roteiristas – foi subutilizado e rebaixado ao segundo escalão de vilões do Aranha, caiu como uma luva no impasse de como colocar os dois amigões da vizinhança frente a frente. Una à isso algum tipo de tecnologia bizarra, digna de Tony Stark e Reed Richards, e pronto! O circo está armado.

No primeiro volume, de um total de cinco edições, não recebemos grandes detalhes da trama, do que está acontecendo ou do que está para acontecer. Tudo que acontece, acontece rápido – como toda boa história do Aranha – e, quando você menos percebe, nosso herói faz uma burrada e a vaca vai pro brejo.

A revista termina no melhor estilo novela da Globo: mocinhos se encontrando, embasbacados, sem entender nada. É ÓBVIO que você vai ficar roendo as unhas até o volume dois chegar pra saber o que vai acontecer, nem precisava ter história boa pra isso acontecer.

O roteiro está nas mãos de Brian Michael Bendis, ninguém mais ninguém menos que o cara responsável por grande parte do que o universo Ultimate é hoje. Além disso, consta no curriculo do cara, trabalhos com Demolidor, Alias, a saga Dinastia M e a excelente HQ policial Powers.

Quem assume os desenhos é Sara Pichelli. Sara é uma das artistas da nova leva dos quadrinhos, trabalhando a “pouco tempo” com a Marvel. Já desenhou alguma coisa dos X-Men e, a partir do segundo volume de Ultimate Comics: Spider-Man, Sara foi contratada como artista principal responsável pelo aracnídeo na linha editorial.

quadrinho do homem aranha

Para os fãs de longa data do amigão da vizinhança, junto com o traço mais “pop” – definido assim por ela mesma – é possivel identificar algumas referências ao estilo clássico do desenho, principalmente na movimentação do Aranha, nos remetendo à dinâmica utilizada na década de 80 e 90 por John Romita Jr. e Todd McFarlane.
Por fim, mas não menos importante, a colorização fica na responsabilidade de Justin Ponsor. Justin é um colorista recorrente nas revistas do Aranha no universo Ultimate, já tendo – também – trabalhado em algumas edições dos X-Men e dos Vingadores, além de ter colorido uma boa parte da mega-saga Fear Itself (A Essência do Medo aqui no Brasil). O que recebemos nessa revista é uma pintura digital repleta de tons e sobre-tons muito bem definidos e delineados com alguns efeitos de pintura com aquarela, só como requinte.

Um trabalho muito bem capitaneado pelo trio, que empolga e cativa. Uma pena ser uma revista tão curta e que dure um mês para continuar…

Por onde começar a ler quadrinhos?

“… mas por onde eu começo a ler histórias em quadrinhos? Como ler”

Quem aqui nunca ouviu ou fez essa pergunta, hein? Fosse você criança conversando com seu amiguinho nerdão na escola ou falando com o moleque mais velho da turma, fosse adulto e algum transeunte aleatório – ou, veja você, um amigo – perguntou isso pra você na esperança de uma resposta melhor que o genérico Turma da Mônica ou Batman. Com certeza todo mundo já se deparou com essa dúvida.

como ler quadrinhos

Começar a ler quadrinhos não é algo complexo ou muito difícil, nem possui tantas áreas cinzas e terrenos delicados a abordar como o cinema mas, ainda assim, tem alguma “metodologia” e lógica a ser seguida. Ler em si, independente do que seja, não é ruim e, via de regra, nunca vai ser um estraga-prazeres porém é claro que sempre vão haver aquelas leituras melhores e mais indicadas que as outras.

Assim como música ou o cinema os quadrinhos também possuem estilos e categorias diferentes. Então, se você quer realmente saber por onde começar a ler quadrinhos, comece pensando o seguinte:

1) Qual o tipo de histórias você gosta?

Responder isso é fácil (pelo menos para a maioria das pessoas) e não requer levar em consideração os quadrinhos para pensar nela. Você é o tipo de pessoa que gosta de heróis super poderosos ou prefere o heroísmo histórico, de capa e espada? Ou heróis não são sua praia e você prefere dramas policiais? Quem sabe suspense? Tramas sobrenaturais? Quem sabe até dramas baseados em acontecimentos históricos? Qualquer resposta é certa, desde que seja verdadeira. Achar que você talvez, quem sabe goste mais ou menos de uma coisa, sem ter a certeza e optar por pura curiosidade pode resultar em um começo infeliz e mais dificultoso nessas novas leituras então seja sincero consigo mesmo e vá no garantido (depois você vai no caprichoso XD).

Depois de responder essa pergunta o resto fica bem mais fácil porém há algo que é muito importante e muita gente, quando indica algum quadrinho para alguém novo na área, esquece e pode comprometer definitivamente o novo hobby.

2) Você tem paciência para “conhecer a história” ou prefere “viver a história”?

Explico: imagine que você nunca leu quadrinho nenhum e, depois de sair dos cinemas, você resolve ir atrás de uma revistinha dos Guardiões da Galáxia. Deve estar pensando “Nossa, o filme foi tão divertido! Se isso veio dos quadrinhos então as histórias deles devem ser legais assim também”.

Aí, na volta pra casa, você pára na livraria ou na banca e compra alguma revista deles que esteja por lá. As chances são de que, muito provavelmente, você acabe levando um volume mensal qualquer. Chegando em casa você começa a ler, empolgadão, e depois da primeira ou segunda página começa a ver que não conhece ninguém, o enredo da história não é nem um pouco igual ao que tinha no filme, os personagens estão indo ou voltando ou fazendo algo em algum lugar que você não faz ideia de por que ou pra quem ou como. E por aí vai, é só o começo das dúvidas.

Antes do fim da revista você provavelmente já desistiu porque não estava entendendo mais nada e não fazia sentido, o que deveria ser divertido ficou enfadonho e matou seu interesse antes de terminar de despertá-lo.

Se você é o tipo de pessoa que tem paciência com as coisas e prefere conhecer o terreno por onde está andando, você não vai se incomodar de ir atrás de revistas antigas, ler uma ou outra velharia que explique a origem do personagem ou algo assim, algo que seja o suficiente pra lhe munir como o básico necessário pra entender o que está acontecendo nas outras revistas. Essa pessoa, quase sempre, não começa com revistas mensais, avulsas e sem começo nem fim.

Agora, se você prefere viver a história, vendo o que acontece e como é resolvido, independente de quem esteja resolvendo ou de onde vieram e não tem pressa em saber quem é quem e qual o motivo de tudo, esperando para ver o que acontece na história nas próximas revistas, daí talvez – e é um talvez bem grande – você consiga começar a ler por uma ou outra revista mensal especifica.

Mas, independente de tudo isso, os quadrinhos nunca serão como nos filmes. Ponto final. Entenda isso e seu começo vai ser 50% mais fácil e menos estraga-prazeres.

Mas próximas postagens tentarei resumir o que há de melhor (na minha opinião) em cada categoria de histórias em quadrinho. Muita coisa vai ficar de fora mas, como é pra ser um começo, já vai servir. Então, sente, relaxe, tire os calçados e boa leitura.

Começando nos quadrinhos Policiais

100 balas

Se um estranho lhe oferecesse a oportunidade única de cometer um assassinato e fugir ileso, você aceitaria? Nessa série diferentes cidadãos comuns, pessoas ordinárias, têm a oportunidade de se vingar de uma pessoa que alguma vez as tenha prejudicado, sem consequências. Girando sempre em torno de protagonistas diferentes, com histórias diferentes a cada revista, toda a série sustenta-se em um mesmo personagem: o agente Graves, o homem da maleta com um revolver, 100 balas e um “passe livre da prisão”. Com garantia de imunidade total, o que você faria?

quadrinhos Policiais

Powers

Super-heróis cruzam o céu das cidades como relâmpagos e lanças de fogo. Vilões extravagantes ousam assaltos em plena luz do dia. Criaturas aalienígenassemelhantes a semideuses enfrentam-se em batalhas épicas no céu noturno das cidades. Enquanto isso, nas ruas sujas cidade adentro, os detetives de homicídios Christian Walker e Deena Pilgrim só tentam fazer seu trabalho. Combinando os gêneros de fantasia de super-herói, crime noir e o cotidiano clássico da polícia, a série segue as vidas dos detetives atribuídos a investigar casos que envolvam pessoas com habilidades sobre-humanas (superhuman abilities), que são referidos coloquialmente como “poderes” (powers).

Happy!

Conheçam Nick Sax, um corrupto, embriagado ex-policial que virou um matador de aluguel, à deriva em um pegajoso e sombrio mundo de homicídios casuais, sexo sem alma, eczemas e traições. Com um trabalho de aluguel que deu errado, uma bala alojada no corpo, a polícia e a máfia em sua cola, e um monstruoso assassino de crianças em uma roupa de Papai Noel à solta, Nick e seu mundo serão mudados para sempre neste Natal. Por um pequeno e falante cavalo azul imaginário chamado Happy.

Casanova

Em Casanova conhecemos a I.M.P.E.R.I.O., uma agência internacional de super-espionagem responsável por manter a paz e a ordem no mundo. Cornelius, pai de Casanova, é o diretor e chefão todo poderoso da agência. Zephyr, sua irmã gêmea, é a principal agente de campo da I.M.P.E.R.I.O. e que começa a história investigando uma perturbação no tecido do continuum do tempo-espaço. Enquanto isso Casanova Quinn, um ladrão decadente e também a ovelha negra da família, é raptado através de dimensões paralelas onde o significado de sua sobrevivência repousa sob a máscara do maior agente secreto que o mundo já conheceu … Casanova Quinn.

Como avaliar a classificação de um quadrinho?

Se algum colecionador de quadrinhos pensou em sair – ou de fato saiu – da parte em que a coleção era somente um hobby qualquer e partiu para a parte hardcore, “profissional”, certamente uma das primeiras coisas com a qual se deparou foram as avaliações ou graduações das revistas.

Se você nunca viu, as graduações – muito comuns lá fora e raras aqui no brasil – são o que certificam e garantem ao dono e/ou futuro comprador sobre a integridade da revista. Por integridade pode-se considerar praticamente tudo que compõe a peça, desde certificar que de fato é uma revista original e não alguma cópia ou, por vezes, reimpressão mais atual, até garantir que todas as páginas estão em ordem, se os grampos estão novos ou soltos, se enferrujaram as páginas, se há danificações nas orelhas ou lombada. Enfim, absolutamente TUDO na revista é analisado e avaliado.

Depois de tudo analisado a revista recebe um código próprio, que pode variar entre tarja magnética, código de barras ou QR Code, e é lacrada em uma embalagem de plástico rígido, que irá garantir que a peça não poderá ser violada nem manuseada para diminuir a avaliação que recebeu e, por consequência, perder o valor de coleção.

A escala básica de avaliação para as revistas costuma transitar entre Near Mint (mais alta) e Poor (mais baixa) e utiliza a classificação por letras, para designar a qualidade aparente geral da revista. Sendo, inteira, assim:

  • NM – Near Mint
  • VF – Very Fine
  • FN – Fine
  • VG – Very Good
  • GD – Good
  • FR – Fair
  • PR – Poor

Porém essa não é a avaliação final, que fica registrada no material, ela servirá como guia para receber a avaliação final. Pode não fazer muito sentido, avaliar a mesma coisa duas vezes para dar duas notas diferentes, mas as instituições que trabalham com isso costumam ter – no mínimo – três pessoas diferentes avaliando a mesma peça, cada um julgando um aspecto diferente. Então, no final e com base na nota básica de cada um, é possível avaliar a peça como um todo e ter uma avaliação geral, mais detalhada e precisa.

A escala de classificação final trabalha com avaliação numérica, que acompanha as letras da avaliação anterior, e vai de 0 a 10, sendo completa assim:

  • 10.0GM Gem Mint
  • 9.9M Mint
  • 9.8NM/M Near Mint/Mint
  • 9.6NM+ Near Mint+
  • 9.4NM Near Mint
  • 9.2NM- Near Mint-
  • 9.0VF/NM Very Fine/Near Mint
  • 8.5VF+ Very Fine+
  • 8.0VF Very Fine
  • 7.5VF- Very Fine-
  • 7.0FN/VF Fine/Very Fine
  • 6.5FN+ Fine+
  • 6.0FN Fine
  • 5.5 FN- Fine-
  • 5.0VG/FN Very Good/Fine
  • 4.5VG+ Very Good+
  • 4.0VG Very Good
  • 3.5VG- Very Good-
  • 3.0GD/VG Good/Very Good
  • 2.5GD+ Good+
  • 2.0GD Good
  • 1.8GD- Good-
  • 1.5FR/GD Fair/Good
  • 1.0FR Fair
  • 0.5PR Poor

Ou seja, se na avaliação básica inicial a revista foi julgada como muito boa, VF – Very Fine, você (e a equipe de avaliação), já sabem que a nota final de classificação da revista estará entre 7.5 e 9.0 e assim sucessivamente.

Já vimos que os quadrinhos são classificados por uma escala de letras e números, agora vocês saberão o que cada um deles significa.

Near Mint (NM)

Um exemplar NM deverá estar em condições quase perfeitas – praticamente novo -, com apenas alguns defeitos muito minúsculos que beiram a insignificância. Pequenos defeitos que são aceitáveis em um exemplar NM são: uma quantidade muito pequena de saliências na lombada da revista porém sem quebras de cor, casos muito pequenos de amassados (dois ou três, no máximo, e minúsculos), cantos ligeiramente achatados e poucas e pequenas dobras (menos de 1/8 de polegada, o que é algo em torno de 3 milímetros), também sem quebras de cor.

Na escala de classificação de dez pontos, uma graduação máxima inferior, como 9.2, permitirá que estes defeitos possam aparecer em maior quantidade enquanto que em um grau de uma classe mais elevada, como 9.8, pode não haver defeito visível algum. “Mas Cleverson, se a revista não possui defeito visível algum porque ela não leva um 10.0?”

Pelo seguinte: mesmo não aparentando nenhum pequeno defeito como os citados sempre irá haver alguma coisa que desclassifique a revista como perfeita, seja no manuseio pelo correio ou pela banca/livraria/comic shop, ou qualquer coisa semelhante. Por mais que ninguém enxergue o resultado dessas ações, elas são consideradas, por isso o máximo que se tem o costume de graduar uma revista é 9.8. 10.0, só na saída da boca da impressora na gráfica.

Very Fine (VF)

Uma cópia VF tem pequenos defeitos mas ainda está em excelentes condições. Quadrinhos mais atuais que foram bem guardados (e especialmente se eles foram lidos) se enquadram nesta categoria. Defeitos aceitáveis em um VF são pequenos e incluem: um pequeno desgaste dos cantos, um pequeno acúmulo de stress na lombada da revista que pode incluir algumas quebras de cores, pequenas marcas nas extremidades, e curvas ou dobras menores de 1/4 de polegada – 6 milímetros e meio – (notem que em uma cópia VF , é aceitável alguma quebra de cor nas dobras ou curvas das páginas).

Fine (FN)

Uma história em quadrinhos em condição FN é considerada “acima da média”, mas ainda apresenta algum desgaste. Em geral, o apelo visual da revista cai um pouco devido a uma acumulação de pequenos defeitos ou um ou dois defeitos moderados (não as duas situações juntas). Defeitos aceitáveis numa cópia FN incluem: lombada levemente curvada (costuma acontecer quando revistas grampeadas são guardadas empilhadas de forma errada ou são enroladas), moderada acumulação de stress na lombada da revista que pode incluir algumas quebras de cores, marca ou dobra na lombada de menos de 1/2 polegadas – 1,2 centímetros – , pequenas manchas de água ou outro resíduo (menos do que o tamanho de uma moeda) e um dos cantos machucados.

Very Good (VG)

Uma história em quadrinhos em condição VG já mostra alguns desgastes significativos mas não acumulou defeitos suficientes para reduzir seu apelo visual a tal ponto que ela não seja uma cópia desejável. Uma cópia VG pode ter um acúmulo de pequenos defeitos ou um ou dois grandes. Defeitos aceitáveis em uma cópia VG incluem: lombada enrolada, rachadura de 1/2 a 1 polegada (1,2 a 2,5 centímetros) na lombada ou outros rasgos, capa ou páginas centrais destacada de um dos grampos, descoloração devido à oxidação, e um acúmulo moderado de danos causados pela água ou coloração.

Good (GD)

Uma cópia GD tem grandes defeitos mas ainda está completa e legível. Uma cópia GD vai ter uma quantidade significativa de danos, geralmente uma acumulação de defeitos menores pontuados com alguns defeitos maiores. Defeitos aceitáveis em uma cópia GD incluem: Um grande vinco vertical na lombada, de 1,5 a 2 polegadas (3,8 a 5,1 centímetros), capa ou paginas internas totalmente soltas dos grampos, grandes rasgos, descoloração massiva ou fragilidade nas páginas devido à oxidação, grandes quantidades de coloração, resíduos e danos causados pela água.

Fair (FR)

Um FR é o grau mais baixo que uma história em quadrinhos pode receber, desde que a história e arte estejam completos. Uma cópia FR terá praticamente nenhum apelo visual e irá exibir grandes danos. A história em quadrinhos em condição FR pode ter elementos que não façam parte da história, tais como cupons, páginas de anúncios ou selos cortadas ou destacadas do livro. Tipos de danos que colocam uma história em quadrinhos na faixa FR incluem: Um vinco na lombada de até 2/3 do comprimento da revista, uma capa ou contra-capa faltando porém com a restante ainda presa pelos grampos, graves danos causados por água ou outros resíduos, mofo e deterioração do papel devido à oxidação.

Poor (PR)

Em histórias em quadrinhos em condição PR podem estar faltando até 4 páginas da história ou exibir danos graves que afetam a legibilidade do livro.